Noronha e Nogueira Advogados

Categoria: Notícias

  • Indicadores de absenteísmo empresarial podem reduzir passivo trabalhista na sua empresa

    Indicadores de absenteísmo empresarial podem reduzir passivo trabalhista na sua empresa

    Tempo de leitura: 2 minutos

    Se você não mede o absenteísmo na sua empresa, você administra no escuro!

    Muitas empresas só percebem o problema quando o número de afastamentos começa a impactar a operação. O que quase nunca é percebido é que o absenteísmo deixa sinais antes de virar afastamento previdenciário.

    E esses sinais podem ser medidos.

    Quando falamos em indicadores de absenteísmo empresarial, estamos falando de métricas que permitem identificar padrões de faltas, atrasos e licenças médicas antes que eles se convertam em risco trabalhista.

    O que é absenteísmo empresarial?

    Absenteísmo é a ausência do empregado durante a jornada prevista. Pode envolver faltas justificadas, injustificadas, atrasos frequentes ou afastamentos médicos.

    A CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) exige controle de jornada para empresas com mais de 20 empregados.

    Ou seja, medir absenteísmo não vai além da gestão, é cumprimento normativo.

    Quais são os principais indicadores de absenteísmo empresarial?

    Empresas maduras não observam apenas número de faltas, mas também, acompanham indicadores como:

    • taxa de absenteísmo geral
      • absenteísmo por setor
      • índice de afastamentos por CID
      • frequência de atestados médicos curtos
      • reincidência de faltas em determinados períodos

    O objetivo não é vigiar o empregado. É identificar padrões organizacionais.

    Quando um setor concentra afastamentos, o problema pode não estar na pessoa. Pode estar na estrutura.

    Por que indicadores de absenteísmo reduzem o passivo trabalhista?

    O passivo trabalhista muitas vezes surge quando a empresa não consegue demonstrar que acompanhava e tratava riscos internos.

    🔗 Leia também As principais fontes de passivo trabalhista

    Se a empresa demonstra que:

    • monitora indicadores
      • possui políticas preventivas
      • adota medidas corretivas
      • registra providências tomadas

    O cenário de defesa se altera significativamente, eliminando litígios ao reduzir a vulnerabilidade.

    A relação entre absenteísmo e doença ocupacional

    Quando há repetição de afastamentos em determinado setor, pode surgir discussão sobre nexo causal com o ambiente de trabalho.

    Se comprovado nexo, pode haver estabilidade provisória.

    O monitoramento de indicadores permite agir antes que essa discussão se consolide.

    Sua empresa monitora corretamente os indicadores de absenteísmo empresarial?

    Se você deseja transformar dados em proteção jurídica, reflita:

    • Sua empresa calcula taxa de absenteísmo mensal?
      • Existe comparativo anual por setor?
      • Há cruzamento entre absenteísmo e rotatividade?
      • O RH conversa com liderança quando identifica padrão anormal?
      • Existe plano estruturado de retorno ao trabalho?
      • As informações são documentadas formalmente?

    Se essas respostas não estão organizadas, o risco já está instalado.

    Empresas que acompanham indicadores de absenteísmo sofrem menos contingências?

    Na prática, empresas que acompanham indicadores de absenteísmo raramente são surpreendidas por ações trabalhistas relacionadas a adoecimento coletivo.

    Elas identificam o problema antes que ele se transforme em processo.

    E isso muda completamente o cenário jurídico.

    Não é sobre estatística. É sobre prova de gestão.

    Como implementar indicadores de absenteísmo empresarial?

    Uma política eficaz de monitoramento deve incluir:

    • sistema confiável de controle de jornada
      • acompanhamento periódico de atestados
      • integração com segurança do trabalho
      • análise jurídica preventiva
      • revisão de políticas internas

    🔗 Leia também Gestão de riscos trabalhistas

    Quando esses elementos estão alinhados, o absenteísmo deixa de ser surpresa.

    Indicadores não eliminam afastamentos. Mas reduzem contingências!

    O aumento dos afastamentos no Brasil exige maturidade empresarial. Monitorar indicadores de absenteísmo é medida estratégica de prevenção, não de controle excessivo.

    Cada empresa possui realidade própria e nível distinto de exposição ao risco.

    O Noronha e Nogueira Advogados atua de forma estratégica na análise de indicadores internos, revisão de práticas trabalhistas e estruturação de políticas preventivas voltadas à redução de passivos.

    Cada situação exige avaliação técnica individualizada. A gestão preventiva é uma ferramenta de proteção empresarial.

    Entre em contato conosco e agende uma reunião!

  • Brasil tem 4 milhões de afastamentos do trabalho em 2025 e sua empresa pode estar ignorando o risco

    Brasil tem 4 milhões de afastamentos do trabalho em 2025 e sua empresa pode estar ignorando o risco

    Tempo de leitura: 3 minutos

    4 milhões de afastamentos do trabalho em 2025: Por que esse número preocupa as empresas?  

    Em 2025, o Brasil registrou aproximadamente 4 milhões de afastamentos do trabalho por incapacidade temporária, segundo dados divulgados pelo Ministério da Previdência Social. Isso representa o maior volume dos últimos anos e revela um cenário que vai além da estatística.

    Se você atua na gestão, no RH ou na direção da empresa, essa informação não deve ser lida como notícia. Deve ser interpretada como alerta estratégico. Cada afastamento impacta produtividade, clima organizacional, planejamento financeiro e, em muitos casos, risco trabalhista.

    O que significa 4 milhões de afastamentos na prática empresarial?

    Quando falamos em afastamento do trabalho, estamos nos referindo principalmente aos benefícios por incapacidade temporária concedidos pelo INSS. Isso ocorre quando o empregado fica impossibilitado de trabalhar por mais de 15 dias por motivo de doença ou acidente.

    Para a empresa, isso significa:

    • reorganização de equipes
      • possível contratação temporária
      • sobrecarga de outros colaboradores
      • risco de caracterização de doença ocupacional
      • aumento indireto de passivo trabalhista

    Ou seja, uma reestruturação forçada da operação.

    Afastamentos por saúde mental em 2026 aumentarão os riscos trabalhistas?

    Os dados de 2025 mostram crescimento relevante dos afastamentos por transtornos mentais, como ansiedade e depressão. Esse movimento não é isolado. Ele acompanha mudanças no ambiente corporativo, maior exposição a estresse contínuo e pressão por produtividade.

    Até pouco tempo atrás, muitas empresas tratavam saúde mental como tema secundário. Hoje isso deixou de ser opção.

    A atualização da NR-01, que trata das disposições gerais e do gerenciamento de riscos ocupacionais, passa a ter fiscalização punitiva a partir de maio de 2026. Isso significa que a empresa não pode mais ignorar fatores psicossociais dentro do Programa de Gerenciamento de Riscos.

    Na prática, isso impõe às empresas a necessidade de mapear riscos ligados a:

    • sobrecarga contínua
      • metas incompatíveis com jornada
      • ambiente organizacional tóxico
      • ausência de políticas claras de prevenção

    Se houver afastamento e ficar demonstrado que o ambiente contribuiu para o adoecimento, o debate pode evoluir para reconhecimento de doença ocupacional.

    E quando isso acontece, além do benefício previdenciário, pode surgir estabilidade provisória, além de multas.

    🔗 Leia também Estabilidade provisória após afastamento

    Referência para link: artigo explicando quando o empregado adquire estabilidade após benefício previdenciário

    Slug sugerido: /estabilidade-provisoria-apos-afastamento-inss

    Status: tema novo sugerido

    Quando o afastamento do trabalho pode se transformar em passivo trabalhista?

    O risco não nasce no afastamento, ele começa quando:

    • não há política clara de saúde ocupacional
      • o controle de jornada é falho
      • a ergonomia é negligenciada
      • o ambiente de trabalho apresenta fatores de estresse contínuo
      • não há registro adequado de medidas preventivas

    Empresas que não documentam prevenção ficam vulneráveis quando precisam provar que não contribuíram para o adoecimento.

    O que os tribunais têm decidido sobre afastamentos e doença ocupacional

    O Tribunal Superior do Trabalho tem reconhecido, em diversas decisões, a responsabilidade do empregador quando comprovado o nexo entre atividade laboral e adoecimento.

    Na prática, o que se observa é que empresas sem política preventiva estruturada enfrentam maior dificuldade na defesa.

    A decisão não pune a estatística, ela pune a ausência de gestão preventiva.

    Se 4 milhões de afastamentos em 2025 foram uma realidade nacional, a pergunta aqui é outra: Sua empresa está preparada para lidar com isso sem transformar afastamento em passivo?

    Sua empresa está preparada para evitar o aumento dos afastamentos em 2026?

    • Você monitora indicadores internos de absenteísmo mensalmente?
      • Há integração entre segurança do trabalho, RH e jurídico?
      • Existe política documentada de saúde mental e ergonomia?
      • Os afastamentos são analisados como evento isolado ou como padrão recorrente?
      • Há auditoria periódica das condições de trabalho?
      • Sua empresa possui plano estruturado para retorno ao trabalho pós-afastamento?

    Se a resposta para algumas dessas perguntas for incerta, o risco já existe.

    🔗 Leia também Indicadores de absenteísmo empresarial

    Como reduzir riscos trabalhistas em 2026 diante do aumento dos afastamentos?

    A legislação trabalhista e previdenciária não pune empresas pelo adoecimento em si. O que gera responsabilização é negligência, omissão ou ausência de medidas preventivas.

    Quando há estrutura preventiva, documentação e acompanhamento técnico, o afastamento deixa de ser surpresa jurídica e passa a ser evento administrável.

    Prevenir afastamentos é proteger a sua empresa!

    Gestão estratégica de saúde ocupacional não é custo adicional. É mecanismo de proteção patrimonial e institucional.

    Empresas que adotam políticas preventivas conseguem:

    • reduzir litígios
      • melhorar clima organizacional
      • diminuir rotatividade
      • fortalecer cultura interna
      • reduzir contingências trabalhistas

    E principalmente, manter previsibilidade.

    Orientação jurídica preventiva é decisão de gestão inteligente

    Cada empresa possui realidade própria, riscos específicos e histórico diferente de afastamentos. A análise individualizada permite mapear vulnerabilidades e estruturar políticas alinhadas à legislação vigente.

    O Noronha e Nogueira Advogados atua de forma estratégica ao lado de empresas que desejam transformar dados estatísticos em planejamento preventivo. A assessoria trabalhista empresarial contínua possibilita revisão de práticas, análise de risco, orientação em casos de afastamento e estruturação de políticas internas com segurança jurídica.

    Prevenir passivos trabalhistas decorrentes de afastamentos não é apenas cumprir norma. É proteger o negócio.

    Agende uma reunião!

  • Você sabe quais são as principais fontes de passivo trabalhista na sua empresa?

    Você sabe quais são as principais fontes de passivo trabalhista na sua empresa?

    Tempo de leitura: 4 minutos

    Você já reparou como o termo passivo trabalhista aparece na gestão sem que muitas vezes saibamos exatamente de onde ele vem?

    Se você atua na gestão, no RH ou como empresário, essa pergunta pode parecer óbvia. Mas a verdade é que muitos passivos trabalhistas surgem de situações que passam despercebidas no dia a dia operacional. Por isso vale a conversa franca agora: identificar esses pontos antes que se transformem em problema é uma questão de gestão e não apenas de lei.

    O que é passivo trabalhista e por que isso importa?

    Quando falamos em passivo trabalhista, muitas empresas pensam apenas em ações judiciais. Mas o conceito é mais amplo. Ele engloba todas as obrigações não cumpridas ou cumpridas de forma inadequada, desde salários, férias e horas extras até encargos sociais e verbas rescisórias. Isso pode se tornar um custo, mesmo sem um processo instaurado ainda. 

    Ou seja, passivo trabalhista é aquilo que a empresa deve em decorrência de obrigações trabalhistas não cumpridas ou mal cumpridas

    O impacto disso vai além de números na folha ou em um processo. Pode afetar caixa, imagem da empresa diante do mercado e até a atração e retenção de talentos.

    Controle de jornada inadequado é uma fonte silenciosa de passivo trabalhista

    Um dos pontos que mais vemos estourar em auditorias e você talvez já tenha ouvido isso do seu RH,  é o controle de ponto errado ou a manipulação do ponto dos empregados, por exemplo. Não basta marcar entrada e saída. É preciso que os registros sejam confiáveis e consistentes ao longo do tempo. 

    Quando isso falha, horas extras não pagas, intervalos não registrados e jornadas mal calculadas entram em pauta em reclamações trabalhistas. E muitas vezes, na ausência de registros claros, a Justiça do Trabalho presume a existência de horas extras. 

    🔗 Leitura sugerida
    https://noronhaadv.com.br/nao-marca-este-extra-ai-ta-os-riscos-trabalhistas-de-manipular-o-ponto-dos-empregados/

    Contratações sem formalização: passivo trabalhista desde o primeiro dia

    Outro erro que costuma gerar passivos volumosos é a contratação irregular, por exemplo, começar a trabalhar antes do registro na carteira, usar contratos PJ quando a relação de emprego está configurada ou manter trabalhadores em “experimentação” indefinidamente. 

    Quando isso chega à Justiça, quase sempre o pedido é de reconhecimento do vínculo com todas as verbas retratadas (salários, encargos e reflexos). 

    Pagamentos fora do prazo ou com erro de cálculo

    Quando a empresa falha em calcular ou pagar verbas rescisórias como aviso-prévio, férias proporcionais ou 13º salário, isso vira problema para pagar depois.

    Esses valores, quando mal pagos, geralmente envolvem juros e multas, além de reflexos que ampliam o passivo trabalhista rapidamente. 

    Reclamação por diferenças de jornada ou benefícios

    A CLT estabelece regras claras sobre jornada de trabalho, intervalos e adicionais. Quando a empresa não respeita intervalos intrajornada, acumula funções sem critério ou trata horas extras de forma inadequada, abre espaço para pedidos trabalhistas que pesam no passivo. 

    Gestão de riscos trabalhistas negligenciada é passivo oculto

    Há passivos que não aparecem nos números até serem acionados judicialmente ou durante uma fiscalização. Falhas no cumprimento de normas internas, decisões mal documentadas e controles fragmentados podem gerar esses passivos ocultos, riscos que a empresa já contraiu sem perceber.

    Passivo também pode vir de saúde e segurança no trabalho

    Não dá para esquecer os riscos relacionados à saúde e segurança no trabalho. O descumprimento de normas nesse campo pode render ações por danos materiais e morais, multas administrativas e processos por oferecer condições inadequadas aos empregados. 

    O que tudo isso tem em comum?

    Ao final, todos esses fatores refletem uma verdade simples: o passivo trabalhista está diretamente ligado à forma como a empresa organiza, registra e gerencia suas relações de trabalho. Quanto maior a consistência e a documentação, menor o risco de ser surpreendido por uma reclamação. 

    O erro mais comum: achar que “sempre foi feito assim”

    Esse talvez seja o ponto mais perigoso. Muitas empresas repetem práticas ano após ano sem verificar se a legislação mudou, se a convenção foi atualizada ou se há jurisprudência recente que alterou a interpretação. 

    Passivo não nasce do nada. Ele nasce da repetição de pequenas falhas cotidianas que, acumuladas ao longo do tempo, viram prejuízo e litígio.

    Uma leitura técnica sobre onde o passivo trabalhista realmente nasce

    “Quando falamos em passivo trabalhista, muita gente imagina grandes erros, decisões graves ou má-fé. Na prática, quase nunca é assim. O passivo costuma nascer de algo bem mais simples e, justamente por isso, mais perigoso: a rotina.

    É no dia a dia corrido da empresa que pequenas escolhas vão sendo feitas sem muita reflexão. Um ponto que não foi ajustado. Uma prática antiga que continua sendo aplicada porque sempre funcionou. Uma decisão tomada para resolver um problema imediato, sem tempo para checar a norma coletiva ou o impacto jurídico. Nada disso parece grave isoladamente. Mas, somado ao longo do tempo, constrói um risco real.

    Outro ponto que aparece com frequência é a distância entre quem decide e quem executa. A gestão acredita que o procedimento está correto. O RH executa como consegue. O jurídico só é acionado quando o conflito já existe. Nesse intervalo, o passivo vai se formando de forma silenciosa, sem aviso prévio.

    A experiência mostra que empresas que lidam melhor com o passivo trabalhista não são as que nunca erram, mas as que revisam rotinas, questionam práticas antigas e aceitam que o Direito do Trabalho faz parte da gestão, e não apenas da defesa em processos. Quando a prevenção entra na cultura da empresa, o risco deixa de ser surpresa e passa a ser controlável.

    No fim, o passivo trabalhista raramente é sobre uma grande falha. Ele quase sempre é sobre acúmulos não percebidos. E quanto antes a empresa olhar para isso com calma, critério e apoio técnico, menor é o custo humano, financeiro e operacional lá na frente.”

    Dra. Melissa Noronha Calabró – Advogada Trabalhista Empresarial

    E agora, o que fazer?

    A boa notícia é que você pode identificar esses riscos antes que se transformem em ações trabalhistas. Organizar processos, sistematizar controles internos, revisar práticas de RH, atualizar políticas de contratação e consultar orientação jurídica estratégica são ações que preservam a empresa. 

    Prevenção trabalhista começa com apoio jurídico contínuo

    A identificação das fontes de passivo trabalhista exige mais do que conhecimento pontual da legislação. Ela passa pela leitura integrada da rotina da empresa, das decisões da gestão, das práticas do RH e das normas que realmente se aplicam ao negócio.

    O Noronha e Nogueira Advogados atua ao lado das empresas justamente nesse ponto, oferecendo assessoria trabalhista empresarial contínua, com foco na prevenção de passivos, na revisão de práticas internas, no suporte às decisões estratégicas e na gestão consciente dos riscos trabalhistas.

    Nossa atuação não se limita à defesa em processos. Trabalhamos de forma próxima à gestão e ao RH para que o Direito do Trabalho seja um aliado da organização, trazendo previsibilidade, segurança jurídica e equilíbrio nas relações de trabalho.

    No fim das contas, prevenir passivos trabalhistas não é custo, é gestão inteligente.

  • Você sabia que a Convenção Coletiva de Trabalho define regras que impactam o dia a dia da sua empresa?

    Você sabia que a Convenção Coletiva de Trabalho define regras que impactam o dia a dia da sua empresa?

    Tempo de leitura: 3 minutos

    Muitas decisões tomadas pelo empregador, RH e pela gestão não estão apenas na CLT. Elas estão na Convenção Coletiva de Trabalho. Ignorar esse documento é um dos caminhos mais curtos para a formação de passivo trabalhista.

    O problema começa quando a Convenção Coletiva é tratada como detalhe

    Na rotina empresarial, é comum que gestores conheçam a legislação trabalhista de forma geral, mas deixem de lado a Convenção Coletiva de Trabalho aplicável à sua categoria. Esse afastamento costuma ocorrer por dois motivos. Falta de tempo para leitura e a falsa sensação de que a CLT, sozinha, resolve todas as situações.

    Na prática, a Convenção Coletiva altera regras importantes do contrato de trabalho e interfere diretamente na forma como a empresa organiza jornada, remuneração, benefícios e medidas disciplinares.

    Afinal, o que é a Convenção Coletiva de Trabalho?

    A Convenção Coletiva de Trabalho é um acordo firmado entre o sindicato dos empregados e o sindicato patronal. Ela estabelece condições específicas de trabalho para determinada categoria e tem força normativa.

    Isso significa que, uma vez vigente, a Convenção passa a integrar o contrato de trabalho. Mesmo que a empresa não tenha participado diretamente da negociação, ela fica vinculada às regras ali previstas.

    Não se trata de escolha. Trata-se de cumprimento obrigatório enquanto a norma estiver válida.

    Por que a Convenção Coletiva de Trabalho impacta mais do que a CLT?

    A CLT estabelece regras gerais. A Convenção Coletiva ajusta essas regras à realidade de cada setor econômico. É nesse documento que surgem previsões como:

    • adicionais específicos
    • regras próprias de banco de horas
    • limites diferenciados de jornada
    • critérios para compensações
    • benefícios não previstos em lei

    Quando a empresa aplica apenas a CLT e ignora a Convenção Coletiva, cria um descompasso entre a prática interna e a norma que realmente rege aquela relação de trabalho.

    Onde a Convenção Coletiva de Trabalho interfere na rotina da sua empresa?

    O impacto da Convenção Coletiva é cotidiano, ainda que muitas vezes silencioso.

    Ela influencia diretamente:

    • elaboração da folha de pagamento
    • controle de jornada e escalas
    • concessão de benefícios
    • aplicação de advertências e suspensões
    • políticas internas de RH

    Um pequeno descuido, como a aplicação de um banco de horas fora do modelo previsto na norma coletiva, pode gerar reflexos financeiros relevantes em uma eventual reclamação trabalhista.

    O risco de aplicar práticas antigas sem verificar a norma vigente

    Um erro recorrente nas empresas é repetir práticas adotadas em anos anteriores, sem conferir se a Convenção Coletiva foi renovada ou alterada. As normas coletivas possuem prazo de vigência determinado e podem sofrer mudanças significativas a cada negociação.

    Manter procedimentos baseados em convenções expiradas ou desatualizadas fragiliza a defesa da empresa e dificulta a sustentação jurídica de decisões internas.

    🔗 Leitura sugerida
    As principais fontes de passivo trabalhista nas empresas

    Convenção Coletiva de Trabalho e tratamento desigual entre empregados

    Outro ponto sensível envolve empresas com múltiplas atividades ou filiais em localidades diferentes. Convenções Coletivas distintas só podem ser aplicadas a empregados que convivem no mesmo ambiente de trabalho.

    Sem um mapeamento claro das normas coletivas, surgem tratamentos desiguais não intencionais, que costumam ser questionados judicialmente sob a ótica de isonomia e descumprimento normativo.

    A Convenção Coletiva como instrumento de gestão preventiva

    Quando bem compreendida, a Convenção Coletiva deixa de ser um problema e passa a ser uma ferramenta de gestão. Ela oferece previsibilidade, orienta decisões e reduz conflitos internos.

    Empresas que incorporam a leitura da norma coletiva às suas rotinas decisórias conseguem estruturar políticas internas mais seguras, alinhadas à legislação e à realidade do seu setor.

    Decisões de gestão trabalhista sem respaldo jurídico custam caro

    A Convenção Coletiva não deve ser consultada apenas em momentos de conflito. Ela precisa ser analisada antes da implementação de mudanças, revisão de políticas ou adoção de novas práticas de RH.

    Essa leitura antecipada evita retrabalho, reduz riscos e fortalece a segurança jurídica da empresa.

    Decidir com segurança exige leitura jurídica especializada

    A aplicação correta da Convenção Coletiva depende da análise da atividade da empresa, da categoria econômica envolvida e da norma vigente. A orientação jurídica especializada permite interpretar essas regras de forma estratégica, prevenir inconsistências e estruturar decisões alinhadas à realidade do negócio.

    A contratação de um escritório especializado em Direito do Trabalho Empresarial permite que a empresa tome decisões com maior previsibilidade e segurança, especialmente em temas sensíveis como a aplicação da Convenção Coletiva. 

    O Noronha e Nogueira Advogados atua de forma próxima à gestão, ao RH e à liderança, oferecendo leitura técnica qualificada, orientação preventiva e suporte estratégico para reduzir riscos e evitar conflitos trabalhistas antes que eles se consolidem.

    Nossa parceria com as empresas é estratégica e contínua, com foco em três pilares essenciais: prevenção, defesa e gestão de riscos trabalhistas. Trabalhamos para que o Direito do Trabalho seja um aliado da gestão, protegendo o negócio, fortalecendo relações e garantindo segurança jurídica nas decisões.

    Mais do que advogar, atuamos ao lado do empresário para construir ambientes de trabalho mais seguros, eficientes e sustentáveis.

  • Carnaval não é feriado nacional e decisões equivocadas podem gerar passivo trabalhista

    Carnaval não é feriado nacional e decisões equivocadas podem gerar passivo trabalhista

    Tempo de leitura: 3 minutos

    Todos os anos, o Carnaval provoca a mesma dúvida dentro das empresas. Funcionamento normal ou concessão de folga. Exigência de trabalho ou compensação. O problema surge quando a decisão é tomada com base em costumes e sem critério jurídico.

    O erro começa quando o Carnaval é tratado como feriado automático

    O Carnaval costuma ser visto como um feriado nacional. Para a gestão empresarial, essa percepção pode gerar escolhas apressadas. A legislação trabalhista federal não reconhece o Carnaval como feriado nacional. Isso significa que, como regra, o dia é considerado útil e a atividade pode ocorrer normalmente.

    Quando a empresa parte da premissa equivocada de que o Carnaval é, por si só, feriado, abre espaço para inconsistências internas, tratamentos desiguais e, principalmente, riscos trabalhistas evitáveis.

    O que a legislação realmente estabelece sobre o Carnaval

    De forma objetiva, o Carnaval não consta na lista de feriados nacionais previstos em lei federal. A consequência prática é clara. Não existe obrigação legal automática de concessão de folga ou de pagamento diferenciado.

    Isso não impede que o Carnaval seja tratado como feriado em determinadas localidades ou categorias. A obrigatoriedade surge apenas quando há previsão expressa em norma válida, o que exige atenção prévia da empresa.

    🔗 Leia também
    Governo adia novamente regra para trabalho aos domingo e feriados no comércio

    Quando o empregador passa a ter obrigação de conceder folga no Carnaval?

    A exigência de folga no Carnaval não decorre do senso comum e sim, de situações específicas que precisam ser verificadas antes de qualquer decisão operacional.

    A empresa deve observar, especialmente:

    • existência de feriado municipal ou estadual na localidade da prestação de serviços
    • previsão expressa em convenção coletiva ou acordo coletivo
    • política interna formalizada que tenha se consolidado como prática reiterada
    • ajustes individuais previamente pactuados com empregados

    Ignorar qualquer um desses pontos pode resultar em questionamentos futuros, inclusive sob a alegação de tratamento desigual ou descumprimento de norma coletiva.

    A empresa pode exigir trabalho normal durante o Carnaval

    Sim, desde que não exista impedimento legal ou convencional. A exigência de trabalho durante o Carnaval é juridicamente válida quando a data não é feriado local nem protegida por norma coletiva.

    Ainda assim, a forma como essa exigência é comunicada faz diferença. A orientação é que a empresa informe previamente sua decisão, registre adequadamente a jornada e mantenha coerência no tratamento entre equipes e setores.

    Decisões improvisadas, comunicadas de última hora, costumam ser o ponto de partida de conflitos que poderiam ser evitados.

    Pagamento em dobro, horas extras e compensações mal aplicadas

    Outro equívoco comum é o pagamento automático em dobro durante o Carnaval. Esse pagamento só é exigido quando há feriado legal reconhecido ou previsão expressa em norma coletiva.

    Se o dia for considerado útil, o trabalho ocorre em jornada normal. O pagamento diferenciado só se justifica se houver extrapolação de jornada, trabalho em feriado local ou acordo específico de compensação.

    O uso de banco de horas também exige cautela. Ele precisa estar formalizado e respeitar os limites legais. Aplicações informais costumam gerar passivo silencioso que aparece apenas em eventual reclamação trabalhista.

    Onde surgem os principais riscos trabalhistas no Carnaval

    O Carnaval, isoladamente, não é o problema. O risco surge na forma como a empresa lida com ele.

    Os pontos mais sensíveis costumam envolver:

    • desconto salarial aplicado sem respaldo normativo
    • advertências por faltas em locais onde havia feriado municipal
    • concessão de folga para alguns empregados e exigência de trabalho para outros sem critério claro
    • ausência de verificação prévia da convenção coletiva aplicável

    Essas situações fragilizam a defesa da empresa em eventual questionamento judicial.

    Decisões de gestão exigem leitura jurídica antes do calendário

    Datas festivas exigem mais do que bom senso. Exigem alinhamento entre gestão, RH e jurídico. O Carnaval é um exemplo clássico de como práticas consolidadas no mercado nem sempre caminham ao lado da lei.

    Quando a empresa antecipa a análise jurídica, reduz ruídos internos, evita conflitos desnecessários e preserva sua segurança operacional.

    🔗 Leia também
    Convenção Coletiva de Trabalho: O que é e como impacta como impacta no dia a dia da sua empresa

    Orientação jurídica trabalhista como ferramenta de prevenção

    Cada empresa possui uma realidade própria. Localidade, categoria profissional, histórico interno e forma de comunicação influenciam diretamente o risco jurídico envolvido em decisões sobre o Carnaval.

    A análise preventiva permite que a empresa atue com previsibilidade, coerência e respaldo técnico, evitando ajustes posteriores que costumam ser mais onerosos do que a prevenção inicial.

    Quando a decisão operacional pede respaldo jurídico?

    Decisões relacionadas à jornada de trabalho, compensações e funcionamento da empresa em datas festivas devem considerar a legislação, as normas coletivas e a realidade específica de cada negócio. A orientação jurídica especializada permite avaliar riscos, alinhar procedimentos e estruturar decisões com maior segurança, especialmente em períodos sensíveis como o Carnaval.

    Entre em contato conosco para uma consultoria personalizada.

    Nossa parceria com as empresas é estratégica e contínua, com foco em três pilares essenciais: prevenção, defesa e gestão de riscos trabalhistas. Trabalhamos para que o Direito do Trabalho seja um aliado da gestão, protegendo o negócio, fortalecendo relações e garantindo segurança jurídica nas decisões.

    Mais do que advogar, atuamos ao lado do empresário para construir ambientes de trabalho mais seguros, eficientes e sustentáveis.

  • A empresa pode monitorar o local de trabalho com câmeras de segurança?

    A empresa pode monitorar o local de trabalho com câmeras de segurança?

    Tempo de leitura: 4 minutos

    Entenda até onde a vigilância é permitida e como proteger juridicamente sua empresa

    A empresa pode usar câmeras no ambiente de trabalho? Entenda os limites legais, o que a LGPD exige, onde é proibido monitorar e como estruturar uma política segura para evitar passivos trabalhistas.

     

    Quando se fala em câmeras de segurança no ambiente de trabalho, muitos empresários pensam automaticamente em segurança patrimonial, mas a questão é mais ampla. No Brasil a empresa pode monitorar o local de trabalho com câmeras de segurança, desde que essa prática respeite limites de privacidade, seja proporcional, legítima e previamente informada aos empregados. 

    A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) não possui dispositivo específico sobre câmeras, mas há entendimentos consolidados na jurisprudência, na Constituição e em outras leis, como a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que moldam esse tema de forma clara. 

    O que diz a lei sobre monitoramento no trabalho

    O uso de câmeras no ambiente de trabalho é aceito no Brasil quando atende a uma lógica simples: proteger pessoas, patrimônio e o próprio negócio, sem transformar o local de trabalho em um espaço de vigilância invasiva.

    Na prática, o monitoramento só é considerado legítimo quando:

    • os empregados sabem que ele existe;

    • a finalidade é clara, como segurança ou prevenção de riscos;

    • não há invasão da esfera íntima do trabalhador;

    • os limites constitucionais e legais são respeitados.

    Há um consenso sólido de que determinados espaços não podem, em hipótese alguma, ser monitorados. Banheiros e vestiários são exemplos clássicos, porque ali existe uma expectativa natural de privacidade que não pode ser violada.

    Outro ponto sensível é a captação de áudio. Gravar conversas amplia o grau de invasão e pode colidir com a proteção constitucional ao sigilo das comunicações. Por isso, esse tipo de monitoramento exige cuidado redobrado e justificativa muito bem fundamentada.

    Em outras palavras, a legalidade não está na câmera em si, mas na forma como ela é utilizada. É o critério que separa proteção de abuso.

    Bases jurídicas que sustentam o monitoramento

    Ainda que a CLT não tenha regra específica sobre câmeras, o poder diretivo do empregador admite, de forma legítima, a instalação de sistemas de vigilância quando há:

    • proteção da segurança física de pessoas e patrimônio;
    • controle de acesso;
    • prevenção de furtos ou outras condutas ilícitas. 

    A Constituição Federal, por sua vez, protege a dignidade da pessoa humana, a intimidade e a vida privada, direitos que se sobrepõem a qualquer monitoramento que possa expô-los indevidamente. 

    Por isso, câmeras devem ser instaladas em locais comuns e com comunicação clara aos empregados, não em áreas que possam expor partes íntimas ou ocasiões em que o trabalhador tenha expectativa legítima de privacidade. 

    O papel da LGPD no uso de imagens

    As imagens captadas por câmeras são consideradas dados pessoais sob a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), o que implica que:

    • os colaboradores devem ser informados de forma clara sobre a existência do monitoramento;
    • a finalidade do uso das imagens precisa ser legítima e específica;
    • o tratamento deve observar princípios como transparência, necessidade, segurança e minimização;
    • o acesso às imagens precisa ser restrito e justificado. 

    Importante observar que a LGPD admite o tratamento de dados sem consentimento quando há interesse legítimo do empregador, desde que ele esteja equilibrado com os direitos fundamentais do empregado. 

    Onde a instalação de câmeras é permitida e onde é proibida?

    A jurisprudência e a doutrina indicam que o monitoramento por câmeras é legítimo quando:

    • instalado em áreas abertas de circulação;
    • em locais de acesso geral (recepção, corredores, estoques, entradas);
    • para fins de segurança, prevenção de perdas ou controle de acesso

    Por outro lado, é vedado monitorar:

    • banheiros;
    • vestiários;
    • áreas de descanso íntimo;
    • locais com expectativa de privacidade elevada;
    • câmeras ocultas ou direcionadas a um único trabalhador. 

    A instalação em qualquer desses locais pode gerar responsabilização trabalhista por dano moral. 

    Monitoramento além de câmeras

    Vale observar que o monitoramento no local de trabalho não se limita às câmeras, existem outras formas como:

    • revista pessoal (checar bolsas, mochilas) — que só se justifica em casos específicos, como segurança ou controle de substâncias perigosas;
    • revista íntima — que é taxativamente proibida pela CLT e por lei esparsa, com multa prevista para o empregador que violar essa regra, inclusive com agravamento em caso de reincidência. 

    Ou seja, nem todas as formas de vigilância podem ser usadas pela empresa: o monitoramento físico direto do corpo do trabalhador é proibido, e a empresa pode ser multada por isso. 

    Boas práticas para implementar câmeras com segurança jurídica

    Para evitar riscos e litígios, sua empresa deve:

    1. Formalizar uma política interna de monitoramento
      Documentar onde as câmeras estão, por quê e como as imagens serão tratadas.
    2. Comunicar os empregados de forma clara e antecipada
      Transparência ajuda a evitar conflitos e ações trabalhistas.
    3. Limitar o monitoramento a áreas adequadas
      Câmeras nos lugares certos reduzem risco e demonstram cuidado.
    4. Garantir controle de acesso às imagens
      Apenas pessoas autorizadas devem poder visualizar gravações, e isso só quando necessário legalmente.
    5. Revisar periodicamente as finalidades e o uso
      A vigilância deve ser proporcional ao objetivo declarado. 

    Onde as empresas mais erram?

    O principal erro não está na instalação em si, mas na falta de transparência e de regras claras. Muitas empresas:

    • instalam câmeras sem comunicar os empregados;
      • não formalizam a finalidade do monitoramento;
      • colocam câmeras em locais que podem invadir privacidade;
      • tratam imagens de forma desorganizada.

    Nesses casos, uma ação trabalhista pode resultar em indenização por dano moral ou responsabilização por violação da LGPD. 

    Uma breve análise técnica sobre o tema

    “O monitoramento por câmeras no ambiente de trabalho é legítimo quando atende a finalidades claras, é comunicado aos empregados e respeita a privacidade, conforme interpretado pela jurisprudência e pela doutrina jurídica atual. 

    No entanto, a proteção constitucional da intimidade e da vida privada impõe limites intransponíveis. Instalar câmeras em locais íntimos, usar sistemas ocultos ou empregar imagens sem finalidade legítima não é admissível juridicamente. 

    A LGPD incorpora uma camada adicional: as imagens são dados pessoais, e o tratamento exige observância dos princípios de proteção de dados. “

    Dra. Melissa Noronha – Advogada Trabalhista Empresarial

    Um ponto que merece atenção…

    Monitorar pessoas não é apenas tecnologia. É uma decisão que envolve direitos fundamentais e deve ser tratada como parte da gestão de riscos trabalhistas e de proteção de dados.

    Sem processo, sem política, sem comunicação, a vigilância pode virar passivo, mas com método, ela pode ser proteção.

    Quando a segurança vira risco jurídico?

    Sua empresa já tem uma política de monitoramento em conformidade com a legislação trabalhista e a LGPD?

    O Noronha e Nogueira Advogados atua ao lado de empresas que desejam:

    • estruturar políticas de vigilância com segurança jurídica;
      • prevenir passivos trabalhistas e de proteção de dados;
      • alinhar segurança patrimonial e proteção dos empregados.

    Entre em contato conosco para uma consultoria personalizada.

    Nossa parceria com as empresas é estratégica e contínua, com foco em três pilares essenciais: prevenção, defesa e gestão de riscos trabalhistas. Trabalhamos para que o Direito do Trabalho seja um aliado da gestão, protegendo o negócio, fortalecendo relações e garantindo segurança jurídica nas decisões.

    Mais do que advogar, atuamos ao lado do empresário para construir ambientes de trabalho mais seguros, eficientes e sustentáveis.

  • A empresa pode negar o pedido de antecipação da 1ª parcela do 13º salário?

    A empresa pode negar o pedido de antecipação da 1ª parcela do 13º salário?

    Tempo de leitura: 3 minutos

    Entenda quando o empregado tem direito de antecipar a 1ª parcela do 13º salário, quando a empresa é obrigada a atender o pedido e quando pode recusar. Saiba também como evitar riscos trabalhistas.

    O pagamento do 13º salário é uma das obrigações trabalhistas mais importantes do calendário anual e também uma das que mais gera dúvidas para empregadores e empregados. Uma das questões recorrentes sobre o 13º salário é:

    A empresa pode se negar a antecipar o pedido de adiantamento da 1ª parcela do 13º salário quando o empregado solicita?

    A resposta depende de quando e como esse pedido é feito e a lei tem regras específicas justamente para evitar injustiças e insegurança jurídica. Vamos esclarecer isso de forma prática e atualizada para sua empresa não correr riscos trabalhistas.

    O que a legislação trabalhista diz sobre o 13º salário?

    O 13º salário é um direito garantido ao trabalhador com carteira assinada (CLT), previsto na Lei nº 4.090/1962 e regulamentado pelo Decreto nº 57.155/1965

    A regra geral de pagamento é:

    1ª parcela: até o dia 30 de novembro de cada ano; ou por ocasião das férias, entre 1º de fevereiro e 30 de novembro de cada ano
    2ª parcela: até 20 de dezembro 

    Essa divisão deve ser observada pelo empregador, sob pena de multa ou ação trabalhista caso a empresa pague fora dos prazos legais. 

    Quando o empregado pode pedir a antecipação do 13º salário?

    A legislação prevê uma hipótese específica de antecipação obrigatória da 1ª parcela do 13º salário:

    Se o trabalhador solicitar que a 1ª parcela seja paga junto com as férias, ele deve fazer esse pedido até o dia 31 de janeiro do ano correspondente. 

    Esse pedido deve ser formalizado por escrito ao empregador, preferencialmente com protocolo de recebimento, para evitar questionamentos futuros. 

    IMPORTANTE: sem esse pedido formal no prazo, a empresa não está obrigada a antecipar. A simples menção verbal não cria direito automático.

    Quando a empresa é obrigada a atender o pedido de antecipação do 13º salário?

    Se o empregado pedir por escrito dentro do prazo legal (até janeiro) para receber a 1ª parcela junto com as férias, a empresa não pode negar esse pedido. 

    Essa regra foi estabelecida para permitir ao trabalhador organizar melhor suas finanças, especialmente em conjunto com o período de descanso remunerado.

    Quando a empresa pode recusar a antecipação do 13º salário?

    A empresa pode se recusar a antecipar a 1ª parcela do 13º salário quando:

    ✔ o pedido do empregado for feito fora do prazo legal (após janeiro)
    ✔ o pedido não estiver formalizado por escrito
    ✔ não houver vínculo de férias no período solicitado
    ✔ a antecipação não estiver prevista em política interna da empresa

    Fora desses casos, a antecipação é uma faculdade do empregador, ou seja, pode ser concedida por liberalidade, mas não é uma obrigação. 

    Observações importantes para o empregador

    1. Antecipação facultativa

    Mesmo sem pedido, a empresa pode antecipar a 1ª parcela em qualquer mês entre fevereiro e novembro como gesto de política interna, isso não cria direito automático futuro, mas deve ser regra clara e igualitária. 

    2. Formalização do pedido

    Para evitar conflitos, é recomendável exigir pedido formal por escrito e manter registro no setor de RH.

    3. Cuidado com tratamento desigual

    Antecipar para alguns e negar para outros sem critério claro pode abrir espaço para alegações de tratamento discriminatório ou violação de normas internas.

    4. Impactos contábeis e de planejamento

    A antecipação impacta o fluxo de caixa da empresa e o cálculo de encargos, por isso deve ser integrada com planejamento financeiro e jurídico.

    Riscos de negar indevidamente o pedido de antecipação do 13º salário

    Se a empresa indeferir o pedido dentro do prazo legal, ela pode enfrentar:

    • reclamações trabalhistas por descumprimento do direito previsto em lei 
    • autuações administrativas por irregularidade nos pagamentos 
    • necessidade de pagar juros e correção em caso de condenação

    Ou seja, negar sem fundamento legal pode custar mais caro do que a própria antecipação.

    Como prevenir conflitos internos?

    Para evitar riscos trabalhistas, a empresa deve:

    ✔ ter política interna clara sobre antecipação de 13º salário
    ✔ exigir pedido formal por escrito no prazo legal
    ✔ comunicar os prazos aos empregados de forma transparente
    ✔ integrar RH, financeiro e jurídico para análise de pedidos

    Uma política homogênea evita confusão e destaca a empresa como organizada e juridicamente segura.

    Um resumo prático para o empregador 

    ✔ A empresa deve conceder a antecipação da 1ª parcela do 13º se o empregado pedir no prazo legal (até janeiro) e por escrito.
    ✔ A empresa pode negar se o pedido for fora do prazo ou sem formalização.
    ✔ Antecipar por liberalidade é permitido, mas precisa de política interna para evitar desigualdade. 

    Segurança jurídica e boa gestão trabalhista

    Negar um pedido legítimo de antecipação pode gerar mais custos do que simplesmente atender à solicitação dentro das regras legais.

    Por isso, organização, formalidade e comunicação clara são essenciais.

    O Noronha e Nogueira Advogados auxilia empresas a:

    ✔ estruturar políticas internas de pagamentos e adiantamentos
    ✔ orientar sobre prazos e formalidades legais
    ✔ revisar práticas de RH para evitar passivos
    ✔ proteger sua empresa antes que o problema apareça

    Fale conosco e garanta segurança jurídica nas decisões sobre 13º salário na sua empresa.

  • A empresa pode pedir exame de gravidez da empregada na demissão?

    A empresa pode pedir exame de gravidez da empregada na demissão?

    Tempo de leitura: 7 minutos

    Pode. E, quando bem estruturado, é uma medida de proteção jurídica.

    Esse assunto costuma aparecer quando o problema já existe.

    A empresa demite, algum tempo depois, recebe uma notificação judicial informando que a ex-empregada estava grávida no momento da dispensa.

    A partir daí, o debate muda de patamar. A estabilidade da gestante independe de ciência, não importa se a empresa não sabia, não importa se a própria empregada ainda não tinha confirmação.

    A Constituição garante estabilidade desde a confirmação até cinco meses após o parto. A consequência prática é direta: a dispensa é considerada nula, com reintegração ou indenização substitutiva.

    É nesse ponto que o exame de gravidez no momento da demissão passa a ser visto pela Justiça do Trabalho como uma boa prática.

    Ao longo deste artigo, você encontrará um Diagnóstico de Riscos Trabalhistas na Demissão de Empregadas

    Ele não foi criado para ser apenas lido, ele foi pensado para ser respondido. 

    Cada pergunta conduz você a olhar para a realidade da sua empresa, sem filtros. E são justamente essas respostas que separam empresas que realmente controlam seus riscos trabalhistas daquelas que só descobrem que estavam expostas quando o processo já chegou.

    Boa leitura!!!

    O que a lei protege e o que a empresa precisa considerar?

    A proteção à gestante é ampla. Ela alcança situações em que:

    • a gravidez ainda não era perceptível;
    • a empregada não tinha diagnóstico;
    • o empregador não possuía qualquer indício.

    A jurisprudência do TST consolidou que a estabilidade existe mesmo sem conhecimento das partes.

    Na prática, isso significa que a empresa pode ser condenada mesmo tendo agido de boa-fé.

    O exame no demissional surge como uma resposta concreta a esse risco.

    O Tribunal Superior do Trabalho já reconheceu a licitude do teste de gravidez no exame demissional, desde que:

    • seja oferecido à trabalhadora;
    • haja consentimento;
    • a finalidade seja protetiva;
    • o resultado seja tratado com sigilo.

    Em entendimento recente do TST, foi considerado que a exigência de exame de gravidez em sede demissional, quando realizada com finalidade protetiva, não configura ato discriminatório nem causa dano moral por si só, com objetivo de resguardar a estabilidade gestante prevista no art. 10, II, b, do ADCT. 

    Ou seja, o TST validou a prática como meio legítimo de proteção das partes.

    Por que o exame de gravidez também interessa à empregada?

    Na prática, o exame evita que a trabalhadora:

    • perca a estabilidade por desconhecimento;
    • enfrente demora judicial para reaver o vínculo;
    • fique sem renda em um período sensível;
    • dependa de litígio para ver seu direito reconhecido.

    Quando a gravidez é identificada antes da formalização da dispensa, o contrato é preservado. O vínculo continua e a proteção constitucional se concretiza sem conflito.

    Isso significa segurança jurídica aplicada à realidade da sua empresa!

    Onde as empresas mais erram?

    O erro está em demitir sem protocolo.

    Muitas empresas:

    • não padronizam o exame demissional;
    • não explicam a finalidade do teste;
    • deixam a decisão solta;
    • tratam a gravidez como risco remoto.

    Quando o problema aparece, ele vem em forma de:

    • reintegração forçada;
    • indenização substitutiva;
    • salários retroativos;
    • reflexos em férias, 13º e FGTS;
    • desgaste institucional.

    Tudo isso pode ser evitado com um procedimento simples, ético e juridicamente estruturado.

    A empresa pode obrigar a empregada a fazer o exame?

    Não. O exame de gravidez no demissional deve ser oferecido, nunca imposto.

    A empresa pode incluir o teste como etapa do procedimento de desligamento, mas precisa:

    • explicar a finalidade do exame,
    • esclarecer que ele existe para proteger direitos,
    • colher consentimento expresso,
    • deixar claro que a recusa não gera qualquer consequência.

    A obrigatoriedade descaracteriza a licitude da prática. O que legitima o exame é a forma como ele é conduzido.

    Quando a empregada compreende que o teste existe para evitar a perda de um direito constitucional, o procedimento deixa de ser visto como invasivo e passa a ser compreendido como proteção.

    O exame de gravidez é permitido mesmo com a vedação da CLT?

    Sim. A vedação prevista no art. 373-A da CLT se refere à ADMISSÃO, quando o exame poderia ser usado para excluir ou discriminar.

    Na demissão, o contexto é outro.

    Na demissão, a relação de emprego já está formada e o direito à estabilidade já existe, ainda que ninguém tenha ciência dele naquele momento. O exame não cria esse direito nem o condiciona, ele apenas permite que a empresa saiba se está diante de uma situação juridicamente protegida. O objetivo é simples e concreto: evitar que um desligamento válido em aparência se transforme, depois, em uma dispensa nula por um fato que ainda não era conhecido. É uma forma de dar segurança ao encerramento do contrato e, ao mesmo tempo, preservar um direito que já nasceu com a gestação.

    É por isso que a Justiça do Trabalho passou a reconhecer a licitude do teste no demissional quando adotado de forma ética, consentida e protetiva.

    O resultado pode circular internamente na empresa?

    Não. O dado é sensível, íntimo e protegido, por isso ele deve ficar restrito:

    • ao setor responsável pelo desligamento,
    • ao jurídico, quando necessário,
    • e apenas para cumprimento das obrigações legais.

    Transformar essa informação em comentário interno, fofoca ou exposição caracteriza violação de privacidade e pode gerar indenização por dano moral.

    O protocolo precisa prever:

    • quem recebe o resultado,
    • onde ele é arquivado,
    • quem pode acessá-lo,
    • por quanto tempo ele é mantido.

    O sigilo é essencial para a legitimidade de todo o procedimento.

    O que acontece se a empregada que será demitida se recusar a fazer o exame de gravidez?

    A recusa não impede a rescisão. A empresa deve:

    • registrar que o exame foi oferecido,
    • documentar a recusa,
    • prosseguir com o desligamento normalmente.

    Esse registro é valioso, pois ele demonstra que a empresa:

    • agiu com cautela,
    • tentou preservar direitos,
    • não se omitiu,
    • não foi negligente.

    Se, futuramente, surgir uma discussão judicial, a empresa terá como comprovar que adotou uma conduta responsável e preventiva.

    Boa-fé documentada é proteção jurídica para a sua empresa.

    Como estruturar o procedimento na prática?

    • Inserir o teste como etapa padrão do exame demissional feminino
    • Explicar por escrito a finalidade do exame
    • Colher consentimento expresso
    • Garantir sigilo do resultado
    • Registrar eventual recusa
    • Integrar DP, RH e jurídico no protocolo
    • Treinar quem executa o desligamento

    Essa prática não é um excesso, afinal, ela te ajuda a gerir riscos trabalhistas.

    Empresas que adotam esse procedimento:

    • reduzem litígios;
    • evitam dispensas nulas;
    • preservam direitos;
    • demonstram maturidade institucional.

    Um olhar jurídico sobre o tema

    “O exame de gravidez no momento da demissão precisa ser compreendido dentro de uma lógica maior de responsabilidade empresarial. A estabilidade da gestante decorre diretamente da Constituição e independe de qualquer formalidade. Ela existe mesmo quando ninguém tem ciência da gravidez. Isso cria um cenário peculiar: a empresa pode agir corretamente, cumprir todos os ritos da rescisão e, ainda assim, ver aquele desligamento ser considerado nulo meses depois.

    É justamente aí que o procedimento demissional ganha relevância estratégica. Quando a empresa oferece o exame de forma clara, respeitosa e documentada, ela não está invadindo a esfera íntima da trabalhadora, mas organizando juridicamente o encerramento do contrato. Está criando uma ponte entre o fato biológico e o efeito jurídico que dele decorre.

    Esse cuidado demonstra maturidade institucional. Ele mostra que a empresa compreende que o Direito do Trabalho não se resume ao cumprimento formal de etapas, mas envolve antecipação de riscos reais, que já estão previstos no ordenamento. Em um ambiente cada vez mais regulado e sensível, procedimentos bem estruturados não são burocracia, são proteção.

    Ao transformar o exame em parte de um protocolo claro, com consentimento, sigilo e finalidade definida, a empresa passa a tratar o desligamento como um ato jurídico completo, e não apenas administrativo. Isso reduz conflitos, evita litígios desnecessários e preserva tanto o negócio quanto os direitos envolvidos.”

    Dra. Melissa Noronha – Advogada Trabalhista Empresarial

    Um ponto que merece atenção…

    A ausência de procedimento não impede a demissão, mas transfere todo o risco para a empresa.

    Em um cenário em que a estabilidade independe de ciência, atuar sem protocolo é assumir passivo potencial.

    Antecipar é organizar.

    Você pode substituir o “checklist rápido” por um bloco mais denso, que funcione quase como um espelho para o empresário e para o RH. Algo que não se responda em segundos, mas que faça a pessoa parar, reler, voltar e pensar “isso aqui acontece comigo”.

    Responda a este diagnóstico e identifique riscos que hoje passam despercebidos ao demitir empregadas

    Imagine que, amanhã, você precise desligar uma empregada.

    Antes de pensar na rescisão em si, responda com sinceridade:

    Você saberia, hoje, explicar a essa trabalhadora por que a empresa oferece um exame de gravidez no demissional, sem gerar constrangimento, ruído ou desconfiança?

    Seu RH saberia conduzir essa conversa com naturalidade, segurança jurídica e registro formal?

    Existe, dentro da sua empresa, um documento que organize esse procedimento ou tudo depende da sensibilidade de quem estiver à frente do desligamento naquele dia?

    Se essa empregada recusasse o exame, alguém saberia exatamente como registrar essa recusa, como arquivar essa informação e como demonstrar, no futuro, que a empresa agiu com cautela?

    O resultado desse exame ficaria restrito a quem realmente precisa saber ou ele circularia de forma informal entre setores?

    DP, RH e Jurídico falam a mesma língua quando o tema é demissão de mulheres ou cada área age por intuição?

    Agora vá além.

    Se, seis meses depois dessa demissão, sua empresa recebesse uma ação alegando gravidez no momento da dispensa, você teria hoje:

    • documentos que comprovassem a oferta do exame,
    • registros claros do procedimento adotado,
    • prova de que houve cuidado,
    • evidência de que a empresa tentou preservar direitos,
    • um protocolo que mostrasse método e não improviso?

    Ou você dependeria apenas de versões verbais e da boa-fé presumida?

    Esse exercício não existe para gerar medo, mas revela Ele existe para revelar algo simples, que na prática, acontece o tempo todo: a maior parte dos problemas trabalhistas não nasce de má-fé, nasce de improviso. 

    As empresas fazem o que sempre fizeram, repetem rotinas antigas, confiam na experiência de quem conduz o desligamento e seguem em frente.

    O problema é que o Direito do Trabalho já não funciona mais nesse modo automático. Hoje, o risco surge justamente onde não há procedimento claro, onde cada caso é resolvido “no feeling”, onde não existe um caminho definido para situações sensíveis. É nesse ponto que o jurídico deixa de ser apenas quem resolve conflitos e passa a ser quem organiza decisões antes que elas se transformem em problema.

    E é justamente aí que a assessoria jurídica trabalhista deixa de ser socorro e passa a ser estratégia.

    Empresas que se organizam antes:

    • não transformam desligamentos em litígios,
    • não descobrem direitos só no processo,
    • não aprendem pela dor,
    • não deixam o acaso decidir o que deveria ser técnica.

    Elas constroem segurança antes que o conflito exista.

    E isso muda tudo.

    Quando a demissão de empregadas exige estratégia jurídica?

    Sua empresa já possui um protocolo jurídico para demissões envolvendo empregadas?

    O Noronha e Nogueira Advogados atua ao lado de empresas que desejam:

    • estruturar procedimentos de desligamento seguros;
    • prevenir dispensas nulas;
    • reduzir passivos trabalhistas;
    • alinhar RH, DP e jurídico.

    Nossa parceria com as empresas é estratégica e contínua, com foco em três pilares essenciais: prevenção, defesa e gestão de riscos trabalhistas. Trabalhamos para que o Direito do Trabalho seja um aliado da gestão, protegendo o negócio, fortalecendo relações e garantindo segurança jurídica nas decisões.

    Mais do que advogar, atuamos lado a lado com o empresário para construir ambientes de trabalho mais seguros, eficientes e sustentáveis.

    Entre em contato e agende uma reunião!

  • Nova regra obriga adicional de 30% para quem trabalha de moto: Sua empresa está pronta para esse impacto na folha?

    Nova regra obriga adicional de 30% para quem trabalha de moto: Sua empresa está pronta para esse impacto na folha?

    Tempo de leitura: 4 minutos

    A partir de 3 de abril de 2026, empresas que utilizam trabalhadores com motocicleta como ferramenta habitual de trabalho em vias públicas terão de pagar adicional de periculosidade de 30% sobre o salário-base desses colaboradores.

    Essa não é apenas mais uma recomendação técnica. É uma obrigação expressa pela Portaria MTE nº 2.021/2025, que aprovou o Anexo V da NR-16 — Atividades Perigosas e consolidou critérios objetivos para enquadrar o trabalho em moto como perigoso sob o ponto de vista da legislação trabalhista. 

    O que é esse adicional de 30% e por que ele virou prioridade?

    A nova Portaria MTE nº 2.021/2025 foi publicada em dezembro de 2025 e estabelece critérios claros para a concessão do adicional de periculosidade ao trabalhador que utiliza motocicleta como instrumento de trabalho.

    Essa regra entra em vigor 120 dias após a publicação, ou seja, em 3 de abril de 2026, e traz mais segurança jurídica tanto para quem recebe quanto para quem paga esse adicional.

    Antes dessa portaria, a CLT já previa o adicional de periculosidade para atividades perigosas (artigo 193), mas a falta de regulamentação objetiva tornava incerta sua aplicação prática no uso de motocicletas no trabalho. 

    Quem tem direito ao adicional de 30%?

    O adicional de 30% será devido aos trabalhadores em regime CLT que utilizam motocicleta como instrumento habitual de trabalho em vias abertas à circulação pública, por exemplo:

    • motoboys e motofretistas
      • entregadores sob contrato CLT
      • profissionais externos que usam moto para atender clientes
      • técnicos de campo que se deslocam diariamente em motocicleta

    Essa regra vale independentemente do cargo registrado. O que importa é a exposição ao risco decorrente da função que exige o uso da motocicleta no exercício das atividades.

    O que não gera direito automático ao pagamento do adicional?

    A norma também delimita critérios em que o adicional não é devido, como:

    • deslocamento casa–trabalho–casa, pois não integra a execução das ordens da empresa
      • circulação apenas em vias internas ou privadas sem abertura ao trânsito público
      • uso eventuais ou esporádico da motocicleta fora da rotina
      • veículos recreativos ou que não exigem CNH nem emplacamento

    Essas exceções são importantes para a empresa não pagar adicional quando o risco, de fato, não está presente na atividade laboral. 

    Qual é o impacto real na folha de pagamento da empresa?

    O adicional de periculosidade de 30% não é apenas um custo extra no holerite mensal. Ele tem reflexos diretos em:

    • cálculo de férias e do terço constitucional
      • 13º salário proporcional e integral
      • FGTS mensal e na multa rescisória de 40%
      • horas extras e demais verbas trabalhistas
      • encargos previdenciários e contribuição social

    O percentual é calculado sobre o salário-base, excluindo prêmios ou gratificações, o que significa que, apesar de fixo, impacta diversas rubricas da remuneração. 

    Onde nasce o passivo trabalhista?

    O risco para a empresa nasce quando:

    • Não identifica corretamente quem tem direito
      • Não atualiza contratos e funções
      • Não revisa a folha antes da vigência da regra
      • Não elabora laudos técnicos de periculosidade
      • Não documenta adequadamente as atividades e frequências
      • Trata o tema como interno ou eventual, sem critério técnico

    Quando um empregado percebe que tem direito ao adicional e não o recebe, ele pode buscar a Justiça do Trabalho para exigir:

    • pagamento retroativo dos últimos 5 anos
      • reflexos em férias, 13º e FGTS
      • correção monetária e juros
      • honorários e eventuais danos morais

    Essa cobrança costuma gerar alto impacto financeiro e desgaste institucional se não houver prevenção e conformidade documental. 

    Perguntas frequentes

    Este adicional vale só para motoboys?
    Não. Vale para qualquer trabalhador CLT que utiliza motocicleta de forma habitual no trabalho, mesmo que a função não seja motoboy ou entregador.

    A moto precisa ser própria do trabalhador?
    Não. O que importa é a função exigida pelo trabalho, não a propriedade da moto.

    O adicional pode ser cobrado retroativamente?
    Sim. A regra trabalhista permite cobrança de até 5 anos, com correção monetária e juros, a partir da comprovação do uso habitual da moto no trabalho. 

    Quais cuidados práticos a empresa deve adotar?

    • Mapear funções que utilizam moto
    • Definir quando o uso é habitual
    • Ajustar contratos e descrições de cargo
    • Providenciar laudos técnicos
    • Reorganizar a folha antes da vigência
    • Treinar RH e liderança sobre o tema

    Isso não é apenas burocracia. É uma decisão consciente de gestão de risco, que protege a empresa e dá previsibilidade às escolhas.

    Empresas que se antecipam:

    • Evitam ações trabalhistas
    • Reduzem autuações
    • Controlam o impacto financeiro
    • Mantêm previsibilidade
    • Protegem a imagem institucional

    Uma breve análise técnica sobre o tema

    A nova regra decorre da Portaria MTE nº 2.021/2025, que aprovou o novo Anexo V da NR-16 e consolidou os critérios técnicos para caracterizar as atividades perigosas realizadas com motocicletas, eliminando anos de insegurança jurídica.

    Do ponto de vista jurídico, este é um movimento que:

    1. Reduz litígios por falta de normativa clara 
    2. Alinha a CLT ao Código de Trânsito e às normas de SST 
    3. Torna as empresas responsáveis pela gestão documental e legal do risco 
    4. Exige integração entre jurídico, DP, SST e RH 

    Agora não basta estar “formalmente certo”. É preciso estar substancialmente alinhado com o novo texto normativo.

    Melissa Noronha – Advogada Trabalhista Empresarial

    Um ponto importante

    Empresários costumam pensar:

    “Isso só vale para entregadores.”
    “Não tenho muitos trabalhadores assim.”
    “Aqui é diferente.”

    O que está em jogo não é apenas um adicional. É a conformidade jurídica da sua folha.

    Ignorar a norma pode gerar passivos que crescem com juros, reflexos e impacto financeiro.

    Sua empresa já está pronta para aplicar corretamente o adicional de 30% para quem trabalha de moto?

    O Noronha e Nogueira Advogados atua de forma estratégica ao lado de empresas que desejam:

    • Revisar contratos e funções
    • Estruturar laudos e documentação
    • Ajustar a folha com segurança
    • Prevenir passivos trabalhistas

    Entre em contato para uma consultoria personalizada.

    Nossa parceria com as empresas é estratégica e contínua, com foco em três pilares essenciais: prevenção, defesa e gestão de riscos trabalhistas. Trabalhamos para que o Direito do Trabalho seja um aliado da gestão, protegendo o negócio, fortalecendo relações e garantindo segurança jurídica nas decisões.

    Mais do que advogar, atuamos lado a lado com o empresário para construir ambientes de trabalho mais seguros, eficientes e sustentáveis.