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  • A NR-1 abriu um novo tipo de risco para as empresas: o financeiro

    A NR-1 abriu um novo tipo de risco para as empresas: o financeiro

    Tempo de leitura: 4 minutos

    Entenda como a NR-1 pode impactar o FAP, o RAT e os custos previdenciários da empresa por meio dos riscos psicossociais.

    NR-1, saúde mental e custo previdenciário: o risco psicossocial pode aumentar a folha de pagamento da sua empresa?

    Durante muito tempo, saúde mental no trabalho foi tratada por muitas empresas como um tema secundário.

    Algo ligado:

    • ao clima organizacional
    • à cultura corporativa
    • ao discurso institucional

    Mas a atualização da NR-1 mudou esse cenário.

    O risco psicossocial deixou de ser apenas um tema de gestão de pessoas e passou a integrar formalmente o gerenciamento de riscos ocupacionais.

    E isso muda completamente o nível do problema.

    Agora, o impacto não termina em:

    • desconforto organizacional
    • ações trabalhistas isoladas
    • discussões sobre assédio

    Ele pode alcançar diretamente:

    • afastamentos previdenciários
    • reconhecimento de benefício acidentário
    • aumento do FAP
    • elevação do RAT ajustado
    • crescimento do custo da folha de pagamento

    Em outras palavras, o risco psicossocial passou a ter potencial de impacto financeiro mensurável para as empresas.

    O que a nova NR-1 exige das empresas na prática

    A Portaria MTE nº 1.419/2024 alterou o capítulo 1.5 da NR-1 para incluir formalmente os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho dentro do gerenciamento de riscos ocupacionais.

    Isso significa que as empresas passam a ter obrigação de:

    • identificar riscos psicossociais
    • avaliar impactos relacionados ao trabalho
    • implementar medidas preventivas
    • monitorar a eficácia dessas ações
    • documentar o gerenciamento realizado

    Na prática, fatores como:

    • pressão excessiva
    • metas inalcançáveis
    • jornadas abusivas
    • assédio moral
    • sobrecarga
    • falhas de liderança
    • conflitos organizacionais recorrentes

    deixam de ser tratados apenas como problemas de ambiente corporativo.

    Agora, eles passam a integrar formalmente o mapa de riscos da empresa.

    Sua empresa possui estrutura técnica suficiente para demonstrar que identifica e gerencia esses riscos de forma consistente?

    O risco psicossocial não termina no PGR

    Muitas empresas ainda acreditam que o principal problema da NR-1 está na fiscalização trabalhista.

    Mas esse é apenas o começo.

    O verdadeiro impacto pode surgir quando o adoecimento relacionado ao trabalho entra no sistema previdenciário.

    E é justamente aqui que o cenário se torna mais sensível.

    O caminho pode ser o seguinte:

    • risco psicossocial não gerenciado
    • adoecimento mental relacionado ao trabalho
    • afastamento previdenciário
    • reconhecimento de natureza acidentária
    • impacto no FAP
    • aumento do RAT ajustado

    E o reflexo final aparece diretamente nos custos da empresa.

    Como o adoecimento mental pode impactar o FAP e o RAT da empresa?

    Quando um empregado é afastado por transtornos como:

    • burnout
    • depressão
    • ansiedade
    • transtornos de adaptação
    • estresse grave

    o benefício previdenciário pode ser enquadrado de duas formas:

    • B31 → benefício comum
    • B91 → benefício acidentário

    E essa diferença muda completamente o cenário para a empresa.

    O reconhecimento do benefício acidentário pode alimentar os índices utilizados no cálculo do Fator Acidentário de Prevenção (FAP), que influencia diretamente a alíquota do RAT ajustado.

    Na prática, quanto pior o histórico da empresa em frequência, gravidade e custo de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho, maior tende a ser o impacto previdenciário sobre a folha.

    Isso significa que afastamentos relacionados à saúde mental podem deixar de ser vistos apenas como eventos individuais e passar a produzir reflexos financeiros estruturais.

    O erro estratégico que muitas empresas ainda cometem

    Um dos maiores problemas é tratar o tema apenas como obrigação documental.

    Empresas que produzem:

    • PGRs genéricos
    • inventários superficiais
    • avaliações sem lastro técnico
    • políticas meramente formais

    podem criar um problema ainda maior.

    Isso porque a documentação produzida pela própria empresa pode ser utilizada posteriormente:

    • em perícias
    • em ações trabalhistas
    • em discussões previdenciárias
    • em análises sobre nexo ocupacional

    E aqui surge um cenário perigoso.

    Se a empresa:

    • ignora completamente os riscos psicossociais
      ou
    • reconhece riscos mas não demonstra medidas concretas de prevenção

    ela pode fragilizar sua capacidade de defesa.

    Sua empresa está produzindo documentos defensáveis ou apenas cumprindo formalidades regulatórias?

    O impacto do NTEP nas discussões sobre saúde mental no trabalho

    Outro ponto crítico envolve o Nexo Técnico Epidemiológico Previdenciário (NTEP).

    Na prática, o sistema previdenciário pode presumir relação entre determinadas doenças e a atividade econômica exercida pela empresa.

    E isso inclui transtornos mentais em determinados contextos organizacionais.

    Muitas empresas ainda sustentam que “problemas psicológicos são multifatoriais”.

    Mas a multifatorialidade não elimina automaticamente o nexo ocupacional.

    Se o trabalho contribuiu diretamente para o adoecimento incapacitante, o enquadramento previdenciário pode reconhecer a natureza acidentária.

    E isso amplia:

    • riscos trabalhistas
    • estabilidade provisória
    • repercussões previdenciárias
    • impacto financeiro empresarial

    Por que a gestão do risco psicossocial exige integração interna?

    A nova NR-1 tornou evidente um problema estrutural presente em muitas empresas:

    áreas internas atuando de forma desconectada.

    O gerenciamento adequado exige integração entre:

    • medicina do trabalho
    • segurança do trabalho
    • gestão corporativa
    • jurídico trabalhista
    • previdenciário
    • contencioso
    • folha de pagamento

    Isso porque o problema não termina no afastamento.

    Ele percorre diferentes etapas:

    • produção de prova
    • perícia previdenciária
    • eventual reconhecimento de nexo
    • impacto estatístico no FAP
    • repercussão econômica

    Empresas que tratam essas áreas de forma isolada tendem a ampliar a desorganização defensiva.

    O verdadeiro risco da NR-1 não está na fiscalização

    Muitas organizações ainda concentram preocupação apenas em:

    • autos de infração
    • fiscalização trabalhista
    • multas administrativas

    Mas o maior impacto pode surgir muito depois.

    Quando:

    • o adoecimento se consolida
    • o benefício é reconhecido como acidentário
    • o FAP é recalculado
    • o RAT aumenta
    • os custos previdenciários crescem

    Nesse momento, a empresa deixa de enfrentar apenas um problema regulatório.

    Passa a enfrentar impacto financeiro contínuo.

    E muitas vezes o processo já começou muito antes, na própria organização do trabalho.

    A gestão do risco psicossocial deve ser tratada como parte estratégica da governança trabalhista e previdenciária da empresa. O gerenciamento inadequado desses fatores pode gerar reflexos simultâneos em ações trabalhistas, afastamentos previdenciários, reconhecimento de benefícios acidentários e aumento dos custos relacionados à folha de pagamento.

    Como reduzir riscos previdenciários e trabalhistas relacionados à NR-1 e aos riscos psicossociais

    Sua empresa está preparada para demonstrar, tecnicamente, que gerencia os riscos psicossociais relacionados ao trabalho?

    O problema não está apenas na existência da norma.

    Está na capacidade da empresa de produzir documentação consistente, implementar medidas efetivas e estruturar uma gestão capaz de sustentar sua defesa diante de afastamentos, perícias e discussões previdenciárias.

    A ausência de planejamento, integração interna e coerência documental pode transformar riscos organizacionais em aumento concreto de custos previdenciários e passivos trabalhistas.

    Buscar auxílio jurídico especializado permite avaliar vulnerabilidades, estruturar estratégias preventivas e alinhar a atuação empresarial às exigências da NR-1 e à realidade operacional da empresa.