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PEC do fim da escala 6×1: o que muda para as empresas?

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PEC do fim da escala 6×1: entenda o que está em debate, o que não mudou na legislação, os riscos de decisões precipitadas e como as empresas devem se preparar com segurança jurídica.

Imagine reorganizar toda a operação da sua empresa: escalas, custos, equipes e produtividade por causa de uma mudança constitucional que ainda está em debate, mas já gera expectativa, insegurança e ruído no mercado.

Esse é o cenário criado pelo Projeto de Emenda Constitucional que propõe o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho no Brasil.

Antes de tomar decisões precipitadas, é fundamental entender o que realmente está sendo discutido, o que não mudou e quais riscos as empresas correm ao se antecipar sem critério.

O que prevê a PEC do fim da escala 6×1?

A proposta em debate busca alterar o texto constitucional para:

  • reduzir a jornada semanal de trabalho;
  • extinguir, de forma indireta, a possibilidade da escala 6×1 (seis dias de trabalho para um de descanso);
  • ampliar o tempo de descanso do trabalhador.

Na prática, a discussão gira em torno da adoção de jornadas com mais dias de descanso, como a escala 4×3 ou 5×2, dependendo do setor e da regulamentação futura.

Importante destacar: trata-se de uma PEC, ou seja, não é lei vigente.

A escala 6×1 acabou?

Não.

Até o momento:

  • a escala 6×1 continua plenamente válida;
  • não houve alteração na Constituição Federal;
  • não existe obrigação legal de mudança imediata nas escalas praticadas pelas empresas.

Qualquer modificação agora é decisão gerencial, não imposição legal.

Por que esse tema preocupa tanto os empresários?

Porque a escala 6×1 é amplamente utilizada em setores como:

  • comércio;
  • supermercados;
  • indústria;
  • saúde;
  • serviços essenciais.

O fim dessa escala, se aprovado nos moldes discutidos, poderá impactar:

  • custos de folha de pagamento;
  • necessidade de novas contratações;
  • organização de turnos;
  • produtividade;
  • negociações coletivas.

Antecipar mudanças sem base legal pode gerar desequilíbrio financeiro e passivos trabalhistas desnecessários.

Redução da jornada significa redução de salário?

Outro ponto sensível.

A proposta discutida parte da lógica de redução da jornada sem redução salarial, o que aumenta a preocupação empresarial.

Isso significa que, caso aprovada nesses termos, a empresa poderá ter:

  • menos horas trabalhadas;
  • manutenção dos salários;
  • aumento indireto do custo da hora de trabalho.

Tudo isso ainda depende de texto final, regulamentação e, possivelmente, negociação coletiva.

O risco de decisões precipitadas

Algumas empresas, movidas pelo medo ou pela pressão interna, já cogitam:

  • alterar escalas antes de qualquer mudança legal;
  • reduzir jornada de forma informal;
  • compensar horas sem respaldo jurídico;
  • transferir custos para o empregado.

Essas medidas podem gerar:

  • descumprimento da legislação atual;
  • autuações;
  • ações trabalhistas;
  • nulidade de ajustes feitos sem base legal.

O que a empresa deve fazer agora?

Neste momento, a conduta mais segura é:

  • acompanhar a tramitação da PEC, sem alterar rotinas precipitadamente;
  • mapear impactos financeiros e operacionais de possíveis mudanças;
  • avaliar alternativas de escala compatíveis com cada setor;
  • fortalecer o diálogo com sindicatos;
  • contar com assessoria jurídica trabalhista estratégica.

Planejamento agora evita prejuízo depois.

Parecer jurídico da Dra. Melissa Noronha

A proposta de fim da escala 6×1 e de redução da jornada de trabalho encontra-se em fase de debate legislativo, não produzindo, até o momento, qualquer efeito jurídico obrigatório para as empresas.

Enquanto não houver aprovação da Emenda Constitucional e eventual regulamentação infraconstitucional, a escala 6×1 permanece válida e plenamente aplicável, desde que observados os limites legais da jornada e do descanso semanal remunerado.

Recomenda-se cautela por parte dos empregadores, evitando alterações precipitadas nas escalas de trabalho, bem como acompanhamento técnico-jurídico da tramitação da PEC, a fim de preparar a empresa para eventuais mudanças futuras com segurança jurídica.

Dra. Melissa Noronha
Advogada – Direito do Trabalho Empresarial

A sua empresa está preparada para mudanças estruturais?

Discussões como essa mostram que gestão de pessoas e estratégia empresarial caminham junto com o Direito do Trabalho.

Empresas que se antecipam com planejamento jurídico saem na frente. As que decidem no impulso, geralmente pagam o preço depois.

O Noronha e Nogueira Advogados acompanha de perto projetos legislativos, negociações coletivas e mudanças estruturais que impactam empregadores.

Entre em contato conosco e agende uma reunião para avaliar os possíveis impactos dessa proposta no seu negócio.

 

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