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  • Trabalho no comércio em feriados: O que muda com a Portaria MTE nº 1.316/2026?

    Trabalho no comércio em feriados: O que muda com a Portaria MTE nº 1.316/2026?

    Tempo de leitura: 5 minutos

    A Portaria MTE nº 1.316/2026 alterou as regras para o trabalho no comércio durante os feriados. Entenda quando a negociação coletiva é obrigatória, quais atividades permanecem autorizadas e como evitar passivos trabalhistas.

    A nova Portaria MTE nº 1.316/2026 reforça a negociação coletiva como requisito para o trabalho em feriados em grande parte das atividades comerciais. Empresas devem revisar suas escalas e instrumentos coletivos para reduzir riscos jurídicos.

    O que muda para as empresas com as novas regras sobre trabalho em feriados?

    Com a entrada em vigor da Portaria MTE nº 1.316/2026, grande parte das empresas do comércio somente poderá escalar empregados para trabalhar em feriados quando houver autorização prevista em Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) ou Acordo Coletivo de Trabalho (ACT).

    A nova regulamentação não proíbe o funcionamento do comércio, mas condiciona o trabalho em feriados à negociação coletiva, salvo nas atividades expressamente excepcionadas pelo Anexo IV da Portaria MTP nº 671/2021, alterado pela nova norma.

    Portaria MTE nº 1.316/2026: como ficam as regras para o trabalho no comércio durante os feriados? 

    Durante muitos anos, diversos estabelecimentos comerciais organizaram suas escalas de trabalho em feriados com base em autorizações permanentes previstas na legislação infralegal.

    Agora, esse cenário muda de forma significativa.

    A Portaria MTE nº 1.316/2026 restabelece o protagonismo da negociação coletiva nas relações de trabalho ao exigir, como regra geral, autorização prevista em instrumento coletivo para que empregados do comércio trabalhem em feriados.

    Mais do que uma alteração operacional, a medida exige que empresas revisem seus procedimentos internos antes de definir escalas para datas comemorativas, campanhas promocionais e períodos de maior movimentação do comércio.

    A mudança também reforça uma tendência observada nos últimos anos: o fortalecimento da negociação coletiva como instrumento de equilíbrio entre interesses empresariais e direitos dos trabalhadores.

    O que mudou com a Portaria MTE nº 1.316/2026?

    A principal alteração promovida pela nova portaria está na modificação do artigo 62 da Portaria MTP nº 671/2021.

    Na prática, a autorização permanente para funcionamento em feriados permanece apenas para as atividades expressamente relacionadas no Anexo IV da norma.

    Para a maior parte das atividades do comércio, a empresa deverá verificar previamente se existe autorização em:

    • Convenção Coletiva de Trabalho (CCT);
    • ou Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), quando aplicável.

    Isso significa que a decisão de manter empregados trabalhando em feriados deixa de ser exclusivamente empresarial e passa a depender, como regra, da negociação entre sindicatos patronais e profissionais.

    Essa mudança reforça o papel constitucional da negociação coletiva e exige planejamento antecipado por parte das empresas, especialmente daquelas que concentram parcela significativa de seu faturamento em datas comemorativas e períodos sazonais.

    Abrir o estabelecimento significa que os empregados podem trabalhar?

    Essa é uma das maiores dúvidas geradas pela nova regulamentação.

    A resposta é não necessariamente.

    Existe uma diferença importante entre:

    • a possibilidade de funcionamento do estabelecimento; e
    • a autorização para exigir trabalho dos empregados durante o feriado.

    Mesmo que a empresa esteja autorizada a abrir suas portas, será necessário verificar se a atividade econômica está abrangida pelas exceções previstas na legislação ou se existe autorização válida no instrumento coletivo aplicável.

    Essa distinção é fundamental porque muitos empregadores confundem o funcionamento da empresa com a autorização para convocação dos trabalhadores, aumentando o risco de descumprimento das normas trabalhistas.

    Quais atividades continuam autorizadas a funcionar em feriados?

    A Portaria preserva autorização permanente para diversas atividades consideradas essenciais ou tradicionalmente exercidas durante feriados.

    Entre elas destacam-se:

    • padarias;
    • farmácias;
    • hotéis;
    • restaurantes;
    • bares;
    • postos de combustíveis;
    • comércio varejista de GLP;
    • lavanderias;
    • funerárias;
    • floriculturas;
    • feiras livres;
    • outras atividades expressamente previstas no Anexo IV.

    Entretanto, essa autorização deve ser analisada com cautela.

    Não basta considerar o nome comercial do estabelecimento.

    O que deve ser observado é a atividade econômica efetivamente exercida, conforme enquadramento legal.

    É justamente por isso que empresas com operações diversificadas precisam analisar cuidadosamente seu enquadramento antes de elaborar escalas para os feriados.

    Quais os riscos para empresas que descumprirem a nova regra?

    Ignorar a necessidade de negociação coletiva pode gerar consequências muito além de uma simples irregularidade administrativa.

    Dependendo do caso concreto, a empresa poderá enfrentar:

    • autuações pela Inspeção do Trabalho;
    • multas administrativas;
    • ações trabalhistas individuais ou coletivas;
    • condenação ao pagamento de diferenças salariais decorrentes do trabalho em feriados;
    • pagamento em dobro da remuneração do feriado quando devido;
    • reflexos sobre férias, 13º salário, FGTS e demais verbas trabalhistas;
    • aumento do passivo trabalhista;
    • desgaste nas relações sindicais.

    Além disso, a inexistência de autorização coletiva pode servir como elemento de prova em eventual reclamação trabalhista, aumentando a exposição da empresa a condenações judiciais.

    Sob a perspectiva do compliance trabalhista, o custo de revisar previamente a norma coletiva é significativamente menor do que enfrentar uma fiscalização ou um litígio judicial.

    Como as empresas devem se preparar?

    A entrada em vigor da Portaria MTE nº 1.316/2026 exige uma atuação preventiva.

    Mais do que alterar escalas de trabalho, as empresas precisam revisar seus procedimentos internos para garantir que cada feriado seja tratado conforme a legislação e o instrumento coletivo aplicável.

    Entre as principais medidas recomendadas estão:

    • identificar corretamente a atividade econômica da empresa;
    • verificar se a atividade está entre as exceções previstas na Portaria;
    • consultar a Convenção Coletiva de Trabalho vigente antes da elaboração das escalas;
    • analisar eventual Acordo Coletivo existente;
    • revisar políticas internas relacionadas ao trabalho em feriados;
    • integrar Jurídico, Recursos Humanos, Departamento Pessoal e gestores operacionais;
    • manter registro documental das autorizações utilizadas;
    • capacitar líderes responsáveis pela elaboração das escalas.

    Esse planejamento reduz significativamente o risco de autuações e demonstra boa-fé no cumprimento das normas trabalhistas.

    A negociação coletiva fortalece a segurança jurídica?

    Sim.

    Embora algumas empresas enxerguem a negociação coletiva apenas como uma exigência burocrática, sua principal função é proporcionar maior previsibilidade às relações de trabalho.

    Quando as condições para o trabalho em feriados estão claramente previstas em Convenção Coletiva ou Acordo Coletivo, empregadores e empregados passam a conhecer previamente:

    • regras de convocação;
    • critérios de compensação;
    • remuneração aplicável;
    • concessão de folgas;
    • demais condições específicas daquela categoria econômica.

    Esse cenário reduz conflitos, melhora a gestão das jornadas e fortalece a segurança jurídica das operações empresariais.

    Perguntas frequentes sobre trabalho no comércio nos feriados

    Toda empresa do comércio precisa negociar com o sindicato para abrir em feriados?

    Não. Algumas atividades permanecem abrangidas pela autorização permanente prevista no Anexo IV da Portaria. Entretanto, a maior parte das atividades comerciais dependerá de autorização prevista em Convenção Coletiva ou Acordo Coletivo.

    A nova regra também vale para o trabalho aos domingos?

    Não.

    A Portaria MTE nº 1.316/2026 trata especificamente do trabalho em feriados.

    O trabalho aos domingos continua disciplinado por legislação própria.

    Um supermercado sempre está autorizado a funcionar?

    Não necessariamente.

    A análise depende da atividade econômica efetivamente exercida e do enquadramento previsto na legislação.

    Não basta considerar apenas o nome comercial do estabelecimento.

    A empresa pode ser multada se descumprir a Portaria?

    Sim.

    O descumprimento pode resultar em fiscalização, autuações administrativas e, dependendo do caso, ações trabalhistas com pedidos de diferenças remuneratórias e outras verbas decorrentes do trabalho irregular em feriados.

    Base jurídica

    A regulamentação do trabalho em feriados no comércio está fundamentada, entre outros dispositivos, em:

    • Constituição Federal, especialmente o artigo 7º, inciso XXVI (reconhecimento das convenções e acordos coletivos);
    • Lei nº 10.101/2000;
    • Portaria MTP nº 671/2021;
    • Portaria MTE nº 1.316/2026;
    • Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), conforme aplicável.

    Acompanhamento da evolução do tema

    A regulamentação do trabalho em feriados poderá continuar evoluindo por meio de novas portarias, interpretações administrativas do Ministério do Trabalho e Emprego e decisões da Justiça do Trabalho.

    Além disso, cada categoria profissional poderá estabelecer condições específicas em Convenções Coletivas ou Acordos Coletivos, tornando indispensável o acompanhamento periódico das normas aplicáveis ao setor econômico da empresa.

    Empresas que revisam regularmente seus instrumentos coletivos tendem a reduzir significativamente a exposição a autuações, passivos trabalhistas e conflitos decorrentes da organização das jornadas em feriados.

    Como reduzir riscos jurídicos relacionados ao trabalho em feriados?

    A adequação às novas regras não deve ser vista apenas como uma obrigação legal, mas como uma oportunidade de fortalecer a governança trabalhista da empresa.

    Antes de definir escalas para feriados, é recomendável verificar a atividade econômica exercida, analisar a Convenção Coletiva ou o Acordo Coletivo aplicável e confirmar se existem condições específicas para o trabalho nessas datas.

    Buscar orientação jurídica especializada pode contribuir para interpretar corretamente a legislação, prevenir passivos trabalhistas e estruturar procedimentos internos mais seguros, especialmente em empresas que possuem grande movimentação comercial em feriados ou operações distribuídas em diferentes localidades.

  • Empresas devem acompanhar notificações no Domicílio Eletrônico Trabalhista (DET): ignorar avisos pode gerar riscos e perda de prazos

    Empresas devem acompanhar notificações no Domicílio Eletrônico Trabalhista (DET): ignorar avisos pode gerar riscos e perda de prazos

    Tempo de leitura: 6 minutos

    Entenda por que acompanhar o Domicílio Eletrônico Trabalhista (DET) tornou-se essencial para as empresas, quais notificações podem ser recebidas e os riscos de perder prazos relacionados ao FGTS Digital e à fiscalização trabalhista.

    O Domicílio Eletrônico Trabalhista tornou-se um dos principais canais de comunicação entre empresas e o Ministério do Trabalho. Deixar de monitorá-lo pode significar perda de prazos e aumento da exposição a autuações.

    Empresas devem acompanhar o DET: a fiscalização trabalhista agora também acontece de forma digital

    Sim.

    As empresas precisam acompanhar periodicamente o Domicílio Eletrônico Trabalhista (DET), pois o ambiente passou a ser o canal oficial utilizado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) para enviar notificações, comunicados e atos administrativos, inclusive relacionados ao FGTS Digital.

    Na prática, não basta cumprir corretamente as obrigações trabalhistas, transmitir eventos ao eSocial ou emitir guias pelo FGTS Digital. Também é necessário monitorar continuamente o DET para verificar se existem notificações, pendências ou prazos que exijam providências por parte do empregador.

    Por que acompanhar o Domicílio Eletrônico Trabalhista (DET) passou a ser essencial para as empresas? 

    A transformação digital das obrigações trabalhistas modificou profundamente a forma como empresas se relacionam com os órgãos fiscalizadores.

    Se antes grande parte das comunicações oficiais ocorria por meio de correspondências físicas ou intimações presenciais, hoje diversos atos administrativos são encaminhados exclusivamente por canais eletrônicos.

    Entre eles, o principal é o Domicílio Eletrônico Trabalhista (DET), plataforma oficial criada para estabelecer a comunicação entre o Ministério do Trabalho e Emprego e os empregadores.

    Nos últimos meses, essa ferramenta ganhou ainda mais relevância com a evolução do FGTS Digital, passando a concentrar notificações relacionadas a inconsistências, solicitações de regularização e demais procedimentos vinculados à fiscalização trabalhista.

    Isso significa que a rotina de compliance das empresas mudou. O cumprimento das obrigações não termina com o envio das informações ao eSocial ou com o recolhimento do FGTS. Também é necessário acompanhar regularmente o DET para evitar perda de prazos e reduzir riscos de autuações.

    O que é o Domicílio Eletrônico Trabalhista (DET)?

    O Domicílio Eletrônico Trabalhista é o canal oficial de comunicação eletrônica entre o Ministério do Trabalho e Emprego e os empregadores.

    Previsto no artigo 628-A da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), o DET foi criado para substituir gradativamente comunicações realizadas por outros meios, tornando mais ágil e eficiente a interação entre a Administração Pública e as empresas.

    Por meio dessa plataforma, o empregador pode receber:

    • notificações administrativas;
    • comunicados da Inspeção do Trabalho;
    • orientações sobre fiscalizações;
    • avisos relacionados ao FGTS Digital;
    • intimações para regularização de pendências;
    • outras comunicações oficiais do Ministério do Trabalho.

    Em razão desse novo modelo, deixar de consultar o DET periodicamente pode significar perder oportunidades para corrigir inconsistências antes da adoção de medidas administrativas.

    Por que o DET ganhou ainda mais importância com o FGTS Digital?

    A implantação do FGTS Digital não trouxe apenas mudanças na forma de emissão de guias e recolhimento do Fundo de Garantia.

    Ela também alterou a dinâmica da fiscalização.

    Atualmente, quando são identificadas inconsistências entre as informações transmitidas ao eSocial e os recolhimentos efetuados pelo FGTS Digital, o Ministério do Trabalho pode utilizar o DET para orientar a empresa sobre pendências e conceder prazo para regularização.

    Além disso, o ambiente eletrônico passou a ser utilizado para comunicações relacionadas à Notificação de Lançamento do FGTS Confessado (NLFC), instrumento que pode anteceder a inscrição do débito em dívida ativa caso a situação não seja regularizada dentro dos prazos estabelecidos.

    Quais notificações podem ser enviadas pelo DET?

    Embora muitas empresas associem o DET apenas às fiscalizações trabalhistas, o ambiente eletrônico possui uma função muito mais ampla.

    Entre as principais comunicações que podem ser disponibilizadas estão:

    • notificações relacionadas ao FGTS Digital;
    • solicitações de regularização de inconsistências;
    • comunicações da Auditoria-Fiscal do Trabalho;
    • orientações administrativas;
    • atos vinculados à fiscalização das obrigações trabalhistas;
    • avisos sobre procedimentos eletrônicos conduzidos pelo Ministério do Trabalho.

    Por esse motivo, o acompanhamento periódico da plataforma deve fazer parte da rotina de compliance das empresas, independentemente do seu porte.

    Quais são os riscos de não acompanhar o DET?

    Um dos erros mais comuns é acreditar que, na ausência de correspondências físicas ou e-mails, não existem pendências junto ao Ministério do Trabalho.

    Essa percepção já não corresponde à realidade.

    Com a digitalização da fiscalização trabalhista, diversos atos administrativos passaram a ser comunicados exclusivamente por meio do Domicílio Eletrônico Trabalhista.

    Na prática, uma empresa pode:

    • transmitir corretamente os eventos ao eSocial;
    • emitir normalmente as guias do FGTS Digital;
    • cumprir suas rotinas de Departamento Pessoal;

    e, ainda assim, receber uma notificação eletrônica apontando inconsistências ou solicitando providências.

    Caso essa comunicação não seja acompanhada dentro do prazo, a empresa poderá perder a oportunidade de regularizar espontaneamente a situação antes da adoção de medidas administrativas pela Auditoria-Fiscal do Trabalho.

    Mais do que uma obrigação operacional, o monitoramento do DET tornou-se uma medida de gestão de riscos.

    Quem deve acompanhar o DET dentro da empresa?

    Não existe uma regra que determine um setor específico responsável pelo acompanhamento do Domicílio Eletrônico Trabalhista.

    O mais importante é que a empresa estabeleça internamente um fluxo claro de responsabilidade.

    Dependendo da estrutura organizacional, essa atividade pode ficar sob responsabilidade:

    • do Departamento Pessoal;
    • do Recursos Humanos;
    • da contabilidade;
    • do setor de compliance;
    • ou de outro profissional formalmente designado.

    Empresas que terceirizam a folha de pagamento também devem alinhar contratualmente quem realizará o monitoramento do DET, evitando que notificações permaneçam sem tratamento por falhas de comunicação entre prestadores de serviço e empregadores.

    A integração entre RH, Departamento Pessoal, contabilidade e jurídico tornou-se indispensável

    A transformação digital das obrigações trabalhistas exige que diferentes áreas da empresa atuem de forma integrada.

    Cada setor possui responsabilidades complementares.

    O Departamento Pessoal realiza os envios ao eSocial e acompanha as rotinas de admissão, folha e desligamentos.

    A contabilidade monitora os reflexos tributários, previdenciários e fundiários.

    O setor jurídico analisa notificações mais complexas, acompanha fiscalizações e orienta sobre medidas preventivas ou corretivas.

    Quando essas áreas trabalham de forma isolada, aumentam as chances de que uma comunicação importante fique sem tratamento.

    Por outro lado, empresas que adotam procedimentos internos bem definidos conseguem reduzir significativamente riscos operacionais e passivos trabalhistas.

    Boas práticas para reduzir riscos

    Independentemente do porte da empresa, algumas medidas podem fortalecer a gestão das obrigações digitais.

    Entre elas destacam-se:

    • consultar o DET periodicamente;
    • definir um responsável formal pelo monitoramento das notificações;
    • criar procedimentos internos para tratamento das comunicações recebidas;
    • integrar RH, Departamento Pessoal, contabilidade e jurídico;
    • revisar periodicamente os cadastros vinculados ao DET;
    • manter atualizados os processos relacionados ao eSocial e ao FGTS Digital;
    • documentar as providências adotadas sempre que houver notificações ou solicitações de regularização.

    Essas medidas reduzem significativamente a possibilidade de perda de prazos e contribuem para uma gestão trabalhista mais segura.

    Perguntas frequentes sobre o DET

    O que é o Domicílio Eletrônico Trabalhista (DET)?

    É o canal oficial de comunicação eletrônica entre o Ministério do Trabalho e Emprego e os empregadores, utilizado para envio de notificações, comunicados e demais atos administrativos.

    As notificações do FGTS Digital podem ser enviadas pelo DET?

    Sim.

    O Ministério do Trabalho utiliza o DET para comunicar empregadores sobre pendências relacionadas ao FGTS Digital e orientar procedimentos de regularização.

    Quem deve acompanhar essas notificações?

    Cada empresa deve definir um responsável interno, podendo ser o Departamento Pessoal, Recursos Humanos, contabilidade, compliance ou outro profissional designado.

    Existe risco em não consultar o DET?

    Sim.

    A ausência de acompanhamento pode resultar na perda de prazos para regularização de pendências e aumentar a exposição da empresa a autuações e outras medidas administrativas.

    Consultar o DET substitui o envio correto das obrigações?

    Não.

    O DET é um canal oficial de comunicação. As empresas continuam obrigadas a cumprir normalmente suas obrigações trabalhistas, previdenciárias e fundiárias.

    Base jurídica

    O tema possui fundamento principalmente em:

    • Constituição Federal;
    • Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), especialmente o artigo 628-A;
    • Lei nº 14.261/2021;
    • Portarias do Ministério do Trabalho e Emprego relacionadas ao Domicílio Eletrônico Trabalhista;
    • Regulamentação do FGTS Digital;
    • Manuais oficiais do DET e do FGTS Digital publicados pelo Ministério do Trabalho e Emprego.

    Acompanhamento da evolução do tema

    A digitalização da fiscalização trabalhista está em constante evolução. Novas funcionalidades vêm sendo incorporadas ao FGTS Digital, ao eSocial e ao Domicílio Eletrônico Trabalhista, ampliando o uso desses sistemas como instrumentos oficiais de comunicação entre o poder público e os empregadores.

    Diante desse cenário, é recomendável que as empresas acompanhem periodicamente as atualizações normativas e operacionais publicadas pelo Ministério do Trabalho e Emprego, revisando seus procedimentos internos sempre que houver mudanças nos sistemas ou na forma de fiscalização.

    Temas complementares para sua leitura

    Empresas estão preparadas para a fiscalização trabalhista digital?

    A transformação digital das obrigações trabalhistas exige mais do que o envio correto das informações ao eSocial e ao FGTS Digital. Também é fundamental manter processos internos capazes de acompanhar notificações oficiais, responder dentro dos prazos legais e reduzir riscos decorrentes da fiscalização eletrônica.

    Se houver dúvidas sobre a organização dessas rotinas, a definição de responsabilidades internas ou a adequação dos procedimentos de compliance trabalhista, é recomendável buscar assessoria jurídica especializada, considerando as particularidades e necessidades de cada empresa.

  • Coerência entre o atestado médico e o comportamento do empregado pode dar justa causa

    Coerência entre o atestado médico e o comportamento do empregado pode dar justa causa

    Tempo de leitura: 2 minutos

    Empregado afastado pode praticar qualquer atividade? Entenda quando a incoerência entre o atestado médico e o comportamento do trabalhador pode justificar justa causa e como a empresa deve agir.

     

    Empregado afastado do trabalho porque está passando mal, mas no dia seguinte acorda melhor e pensa:

    “Vou aproveitar esses dias de “folga” para resolver umas coisinhas”, hã hã hã 

    Foi mais ou menos isso que aconteceu e acabou em justa causa!

    Uma auxiliar administrativa, afastada por gastroenterite, aproveitou os 3 dias de afastamento médico para fazer bronzeamento artificial.

    Pois bem. A empresa descobriu e decidiu demitir a empregada por justa causa

    A empregada entrou com ação trabalhista e o TRT entendeu que:

    Se a trabalhadora estava bem o suficiente para se submeter ao bronzeamento artificial, então estava bem o suficiente para trabalhar.

    Que houve o rompimento da confiança, elemento essencial na relação de emprego.

    A Juíza decidiu: 

    A licença médica serve para recuperação. 

    Atividades incompatíveis com o tratamento quebram a boa fé.

    Bronzeamento artificial envolve calor e risco de desidratação o oposto do recomendado para quem está sofrendo com gastroenterite.

    A dona da clínica de estética afirmou que a empregada:

    – disse estar bem

    – bem alimentada

    – em boas condições físicas

    O que reforça a ideia de que a empregada não precisava estar afastada do trabalho.

    Foi assim que a Justiça do Trabalho manteve a justa causa, com base em:

    – Mau procedimento

    – Quebra de fidúcia

    – Incompatibilidade entre a doença alegada e a conduta adotada

    Com a dispensa por justa causa, a empregada perdeu o direito ao recebimento de:

    – aviso prévio

    – 13º. Salário proporcional

    – férias proporcionais + 1/3

    – levantamento do FGTS e multa de 40%

    – seguro desemprego

    Estar afastado do serviço não significa ficar preso em casa, MAS… O empregado não deve praticar atividades que contrariam o motivo do afastamento médico

    O QUE IMPORTA é a coerência entre o atestado médico e o comportamento do empregado. Afastamento médico é assunto sério e envolve boa fé e ética.

    Para saber como a empresa deve agir em situações semelhantes, conte com a assessoria jurídica do escritório Noronha e Nogueira Advogados.