Noronha e Nogueira Advogados

A NR-1 abriu um novo tipo de risco para as empresas: o financeiro

Melissa Noronha M. de Souza Calabró

executivos analisando impacto financeiro da NR 1 e dos riscos psicossociais no ambiente corporativo
A nova NR-1 ampliou a preocupação empresarial com riscos psicossociais, afastamentos por saúde mental e impactos previdenciários relacionados ao FAP e ao RAT.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Entenda como a NR-1 pode impactar o FAP, o RAT e os custos previdenciários da empresa por meio dos riscos psicossociais.

NR-1, saúde mental e custo previdenciário: o risco psicossocial pode aumentar a folha de pagamento da sua empresa?

Durante muito tempo, saúde mental no trabalho foi tratada por muitas empresas como um tema secundário.

Algo ligado:

  • ao clima organizacional
  • à cultura corporativa
  • ao discurso institucional

Mas a atualização da NR-1 mudou esse cenário.

O risco psicossocial deixou de ser apenas um tema de gestão de pessoas e passou a integrar formalmente o gerenciamento de riscos ocupacionais.

E isso muda completamente o nível do problema.

Agora, o impacto não termina em:

  • desconforto organizacional
  • ações trabalhistas isoladas
  • discussões sobre assédio

Ele pode alcançar diretamente:

  • afastamentos previdenciários
  • reconhecimento de benefício acidentário
  • aumento do FAP
  • elevação do RAT ajustado
  • crescimento do custo da folha de pagamento

Em outras palavras, o risco psicossocial passou a ter potencial de impacto financeiro mensurável para as empresas.

O que a nova NR-1 exige das empresas na prática

A Portaria MTE nº 1.419/2024 alterou o capítulo 1.5 da NR-1 para incluir formalmente os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho dentro do gerenciamento de riscos ocupacionais.

Isso significa que as empresas passam a ter obrigação de:

  • identificar riscos psicossociais
  • avaliar impactos relacionados ao trabalho
  • implementar medidas preventivas
  • monitorar a eficácia dessas ações
  • documentar o gerenciamento realizado

Na prática, fatores como:

  • pressão excessiva
  • metas inalcançáveis
  • jornadas abusivas
  • assédio moral
  • sobrecarga
  • falhas de liderança
  • conflitos organizacionais recorrentes

deixam de ser tratados apenas como problemas de ambiente corporativo.

Agora, eles passam a integrar formalmente o mapa de riscos da empresa.

Sua empresa possui estrutura técnica suficiente para demonstrar que identifica e gerencia esses riscos de forma consistente?

O risco psicossocial não termina no PGR

Muitas empresas ainda acreditam que o principal problema da NR-1 está na fiscalização trabalhista.

Mas esse é apenas o começo.

O verdadeiro impacto pode surgir quando o adoecimento relacionado ao trabalho entra no sistema previdenciário.

E é justamente aqui que o cenário se torna mais sensível.

O caminho pode ser o seguinte:

  • risco psicossocial não gerenciado
  • adoecimento mental relacionado ao trabalho
  • afastamento previdenciário
  • reconhecimento de natureza acidentária
  • impacto no FAP
  • aumento do RAT ajustado

E o reflexo final aparece diretamente nos custos da empresa.

Como o adoecimento mental pode impactar o FAP e o RAT da empresa?

Quando um empregado é afastado por transtornos como:

  • burnout
  • depressão
  • ansiedade
  • transtornos de adaptação
  • estresse grave

o benefício previdenciário pode ser enquadrado de duas formas:

  • B31 → benefício comum
  • B91 → benefício acidentário

E essa diferença muda completamente o cenário para a empresa.

O reconhecimento do benefício acidentário pode alimentar os índices utilizados no cálculo do Fator Acidentário de Prevenção (FAP), que influencia diretamente a alíquota do RAT ajustado.

Na prática, quanto pior o histórico da empresa em frequência, gravidade e custo de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho, maior tende a ser o impacto previdenciário sobre a folha.

Isso significa que afastamentos relacionados à saúde mental podem deixar de ser vistos apenas como eventos individuais e passar a produzir reflexos financeiros estruturais.

O erro estratégico que muitas empresas ainda cometem

Um dos maiores problemas é tratar o tema apenas como obrigação documental.

Empresas que produzem:

  • PGRs genéricos
  • inventários superficiais
  • avaliações sem lastro técnico
  • políticas meramente formais

podem criar um problema ainda maior.

Isso porque a documentação produzida pela própria empresa pode ser utilizada posteriormente:

  • em perícias
  • em ações trabalhistas
  • em discussões previdenciárias
  • em análises sobre nexo ocupacional

E aqui surge um cenário perigoso.

Se a empresa:

  • ignora completamente os riscos psicossociais
    ou
  • reconhece riscos mas não demonstra medidas concretas de prevenção

ela pode fragilizar sua capacidade de defesa.

Sua empresa está produzindo documentos defensáveis ou apenas cumprindo formalidades regulatórias?

O impacto do NTEP nas discussões sobre saúde mental no trabalho

Outro ponto crítico envolve o Nexo Técnico Epidemiológico Previdenciário (NTEP).

Na prática, o sistema previdenciário pode presumir relação entre determinadas doenças e a atividade econômica exercida pela empresa.

E isso inclui transtornos mentais em determinados contextos organizacionais.

Muitas empresas ainda sustentam que “problemas psicológicos são multifatoriais”.

Mas a multifatorialidade não elimina automaticamente o nexo ocupacional.

Se o trabalho contribuiu diretamente para o adoecimento incapacitante, o enquadramento previdenciário pode reconhecer a natureza acidentária.

E isso amplia:

  • riscos trabalhistas
  • estabilidade provisória
  • repercussões previdenciárias
  • impacto financeiro empresarial

Por que a gestão do risco psicossocial exige integração interna?

A nova NR-1 tornou evidente um problema estrutural presente em muitas empresas:

áreas internas atuando de forma desconectada.

O gerenciamento adequado exige integração entre:

  • medicina do trabalho
  • segurança do trabalho
  • gestão corporativa
  • jurídico trabalhista
  • previdenciário
  • contencioso
  • folha de pagamento

Isso porque o problema não termina no afastamento.

Ele percorre diferentes etapas:

  • produção de prova
  • perícia previdenciária
  • eventual reconhecimento de nexo
  • impacto estatístico no FAP
  • repercussão econômica

Empresas que tratam essas áreas de forma isolada tendem a ampliar a desorganização defensiva.

O verdadeiro risco da NR-1 não está na fiscalização

Muitas organizações ainda concentram preocupação apenas em:

  • autos de infração
  • fiscalização trabalhista
  • multas administrativas

Mas o maior impacto pode surgir muito depois.

Quando:

  • o adoecimento se consolida
  • o benefício é reconhecido como acidentário
  • o FAP é recalculado
  • o RAT aumenta
  • os custos previdenciários crescem

Nesse momento, a empresa deixa de enfrentar apenas um problema regulatório.

Passa a enfrentar impacto financeiro contínuo.

E muitas vezes o processo já começou muito antes, na própria organização do trabalho.

A gestão do risco psicossocial deve ser tratada como parte estratégica da governança trabalhista e previdenciária da empresa. O gerenciamento inadequado desses fatores pode gerar reflexos simultâneos em ações trabalhistas, afastamentos previdenciários, reconhecimento de benefícios acidentários e aumento dos custos relacionados à folha de pagamento.

Como reduzir riscos previdenciários e trabalhistas relacionados à NR-1 e aos riscos psicossociais

Sua empresa está preparada para demonstrar, tecnicamente, que gerencia os riscos psicossociais relacionados ao trabalho?

O problema não está apenas na existência da norma.

Está na capacidade da empresa de produzir documentação consistente, implementar medidas efetivas e estruturar uma gestão capaz de sustentar sua defesa diante de afastamentos, perícias e discussões previdenciárias.

A ausência de planejamento, integração interna e coerência documental pode transformar riscos organizacionais em aumento concreto de custos previdenciários e passivos trabalhistas.

Buscar auxílio jurídico especializado permite avaliar vulnerabilidades, estruturar estratégias preventivas e alinhar a atuação empresarial às exigências da NR-1 e à realidade operacional da empresa.

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