Noronha e Nogueira Advogados

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  • Dispensa pós-afastamento por depressão: Quando a demissão coloca a empresa em risco

    Dispensa pós-afastamento por depressão: Quando a demissão coloca a empresa em risco

    Tempo de leitura: 4 minutos

    Para empresas que já enfrentam desafios com afastamentos por depressão, a decisão de demitir após o retorno desse colaborador pode ser um campo minado. Discussões sobre doença ocupacional e dispensa discriminatória frequentemente surgem nesses casos, gerando riscos que vão muito além das verbas rescisórias básicas.

    A demissão após afastamento do trabalho por depressão é uma das situações mais delicadas para o RH, o DP, o jurídico interno e as lideranças. O risco jurídico não está apenas na discussão sobre a demissão logo após afastamento por depressão, mas também em como a empresa lidou com o afastamento desde o primeiro atestado, com o retorno ao trabalho e com o ambiente em que essa pessoa foi recolocada.

    Quando a doença ocupacional entra em cena

    A estabilidade provisória por motivo de saúde está diretamente ligada ao reconhecimento de nexo entre o trabalho e o adoecimento. Isso ocorre principalmente em casos de:

    • Doença ocupacional equiparada a acidente de trabalho
    • Emissão de CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho)
    • Benefício acidentário concedido pelo INSS

    No contexto da depressão, a discussão gira em torno de se o ambiente de trabalho contribuiu para o quadro. Elementos como metas abusivas, pressão constante e práticas de assédio moral organizacional podem levar ao enquadramento da depressão como doença ocupacional, com reflexos diretos na discussão sobre estabilidade e na análise do risco de demitir.

    Para evitar surpresas, é essencial que RH e jurídico analisem:

    • Histórico de denúncias ou relatos de sobrecarga na área
    • Existência de laudos médicos que mencionem fatores laborais
    • Natureza do benefício (comum ou acidentário)

    Como o retorno ao trabalho afeta o risco da demissão

    Quando o colaborador retorna ao trabalho após um afastamento por depressão, a empresa não está apenas diante de uma questão operacional de recolocá‑lo na rotina. A forma como esse retorno é organizada influencia diretamente o risco da demissão posterior ser interpretada como discriminatória ou precipitada.

    Empresas que estruturam um protocolo de retorno ao trabalho pós‑afastamento por depressão, com participação da medicina do trabalho, do RH e da liderança, conseguem demonstrar, em eventual ação judicial, que houve tentativa real de readaptação, ajustes de função, revisão de metas e acompanhamento nos primeiros meses. Essa documentação mostra que a decisão de manter ou não o vínculo foi tomada com base técnica e não como reação ao adoecimento.

    Já quando o retorno acontece no improviso, sem critérios claros, sem registro do que foi combinado e sem qualquer acompanhamento estruturado, a narrativa de que a demissão foi a solução mais fácil para um problema de saúde mental ganha força. Em contextos assim, mesmo sem reconhecimento formal de doença ocupacional, aumenta o espaço para alegações de dispensa discriminatória e pedidos de indenização por dano moral, especialmente quando a demissão ocorre pouco tempo depois do retorno.

    Ignorar essa etapa costuma fortalecer a tese de dispensa discriminatória, principalmente se a demissão ocorrer pouco após o retorno.

    Cenários de alto risco: quando a demissão pós-afastamento por depressão vira processo trabalhista

    Algumas situações são clássicas em ações trabalhistas envolvendo estabilidade:

    Caso 1: Demissão imediatamente após o retorno

    Exemplo:

    • Colaborador retorna após 4 meses de afastamento por depressão.
    • Em 15 dias, é dispensado sem justa causa.
    • Não há registro de avaliação de desempenho pós-retorno.

    Risco: alegação de que a dispensa foi retaliação pelo afastamento.

    Caso 2: Desligamento em área com histórico problemático

    Exemplo:

    • Setor com rotatividade alta e múltiplos afastamentos por saúde mental.
    • Empresa não investiga causas ambientais e demite após retorno.

    Risco: enquadramento como doença ocupacional coletiva.

    Checklist para decisões seguras na hora de demitir um empregado pós-afastamento por depressão

    Antes de qualquer desligamento de colaborador que retornou de afastamento por depressão, confira estes pontos:

    Documentação do afastamento

    • O benefício concedido pelo INSS foi de natureza comum ou acidentária?
    • Os laudos médicos fazem menção a fatores laborais ou ao ambiente de trabalho?

    Retorno estruturado

    • O protocolo de retorno ao trabalho pós-afastamento por depressão foi aplicado conforme as melhores práticas?
    • Os ajustes recomendados pela medicina do trabalho (função, jornada, metas) foram implementados e registrados?

    Contexto da dispensa

    • A decisão está fundamentada em critérios objetivos, como desempenho, reestruturação ou extinção de posto?
    • O tratamento dado a este colaborador é coerente com outros casos semelhantes na empresa?

    Por que a demissão pós-afastamento exige outro padrão de cuidado

    A demissão de um colaborador que retornou de afastamento por depressão exige um padrão de cuidado bem diferente de uma dispensa comum. Não basta olhar apenas para o momento da rescisão. É preciso considerar como foi conduzido o afastamento do trabalho por depressão, de que maneira o retorno ao trabalho foi organizado e qual é o contexto real do ambiente em que essa pessoa está inserida.

    Quando esses elementos não são analisados em conjunto, a empresa corre o risco de tomar decisões baseadas apenas em pressão de curto prazo, sem perceber que está abrindo espaço para discussões sobre doença ocupacional, dispensa discriminatória e danos morais relevantes.

    Por outro lado, quando a gestão do afastamento, o protocolo de retorno ao trabalho pós-afastamento por depressão e a decisão sobre eventual desligamento seguem uma lógica coerente, técnica e bem documentada, a empresa reduz significativamente sua exposição e se coloca em posição mais sólida para justificar suas escolhas em eventual ação trabalhista.

    Precisa de orientação jurídica para evitar passivo ao demitir após afastamento por depressão?

    Agende uma consulta estratégica com o time trabalhista do Noronha e Nogueira Advogados. Na reunião vamos:

    • analisar a documentação do afastamento (atestados, laudos, benefícios);
    • revisar o protocolo de retorno ao trabalho pós‑afastamento por depressão já adotado pela sua empresa;
    • identificar pontos de vulnerabilidade na decisão de desligamento e propor ajustes que reduzam o risco de estabilidade, dano moral e indenizações.

    Entre em contato para agendar um horário e avaliar os riscos antes da próxima decisão de demissão pós-afastamento.

  • Assédio moral organizacional: quando a cultura da empresa vira risco jurídico

    Assédio moral organizacional: quando a cultura da empresa vira risco jurídico

    Tempo de leitura: 4 minutos

    O que é assédio moral organizacional e por que ele vai muito além de um “chefe estressado”

    Assédio moral organizacional não é um episódio isolado de grosseria ou cobrança excessiva por parte de um gestor.

    É uma prática institucionalizada, em que a própria forma de organizar o trabalho, cobrar resultados e conduzir equipes cria um ambiente sistematicamente hostil, humilhante ou opressor para grupos de colaboradores.

    Ou seja:

    • Não é só sobre um líder “difícil”, mas sobre políticas, metas e práticas que estimulam competição predatória, exposição vexatória, medo e sobrecarga crônica.
    • O problema está “no sistema”, não só “no indivíduo”.

    Na Justiça do Trabalho, isso é cada vez mais reconhecido como causa de dano moral coletivo e doença ocupacional.

    Como tribunais identificam assédio moral organizacional na prática

    Os tribunais não exigem que a empresa “confesse” o assédio. Eles olham para padrões de comportamento e provas indiretas, como:

    • Metas inatingíveis impostas a toda a equipe, com exposição pública dos “piores” resultados.
    • Comunicação institucional que estimula o medo (“quem não bater meta será demitido”), comparações vexatórias ou piadas sobre desempenho.
    • Ausência de canais seguros para denúncias, com histórico de retaliação a quem reclama.
    • Aumento de afastamentos por transtornos mentais em setores ou equipes específicas.
    • Depoimentos recorrentes de colaboradores relatando pressão, humilhação ou isolamento.

    Decisões recentes do TST e TRTs têm reconhecido que, quando esses elementos aparecem de forma estrutural, não se trata de “caso isolado”, mas de assédio moral organizacional.

    “A responsabilidade da empresa é objetiva quando ela tolera ou incentiva práticas que adoecem o ambiente de trabalho.”
    Referência: decisões do TST sobre dano moral coletivo. Consulte: https://jurisprudencia.tst.jus.br/)

    Sinais de alerta: sua empresa pode estar praticando assédio moral organizacional sem perceber

    Se você reconhece algum desses padrões, é hora de agir:

    • Reuniões semanais com ranking público de desempenho e apelidos depreciativos.
    • Metas revistas apenas para cima, sem diálogo sobre viabilidade.
    • Mensagens em grupos internos com tom de ameaça (“quem não se encaixar, sai”).
    • Lideranças que “brincam” com a fragilidade dos colaboradores (“aqui não tem espaço para fracos”).
    • Colaboradores evitando pedir ajuda ou tirar férias por medo de retaliação.
    • Crescimento de pedidos de demissão “espontâneos” após ciclos de cobrança intensa.

    Esses sinais, somados, formam o mosaico probatório que a Justiça do Trabalho usa para condenar empresas por assédio moral organizacional.

    Consequências jurídicas reais para empresas

    Quando o assédio moral organizacional é reconhecido, as consequências vão além de indenizações individuais:

    • Dano moral coletivo: condenações em valores elevados, que podem chegar a milhões, dependendo do porte da empresa e do número de afetados.
    • Termo de Ajustamento de Conduta (TAC): obrigação de mudar políticas, treinar líderes e criar canais de denúncia sob fiscalização do MPT.
    • Obrigações de fazer: revisão de metas, proibição de práticas abusivas, implementação de programas de de saúde mental no trabalho e compliance psicossocial.
    • Repercussão previdenciária: aumento de afastamentos por transtornos mentais pode gerar revisão de alíquotas e impacto no FAP (Fator Acidentário de Prevenção).
    • Dano reputacional: exposição na imprensa, redes sociais e dificuldade de retenção de talentos.

    Como prevenir e o que fazer se o problema já existe

    Prevenção

    • Política clara: crie e divulgue regras objetivas sobre o que é assédio moral organizacional, com exemplos práticos.
    • Treinamento de líderes: capacite gestores para dar feedback sem humilhar, cobrar resultados sem pressão predatória e identificar sinais de adoecimento.
    • Canais de denúncia independentes: garanta sigilo e proteção contra retaliação.
    • Monitoramento de indicadores: acompanhe absenteísmo, rotatividade, afastamentos e clima organizacional de forma integrada.

    Se o problema já existe

    • Diagnóstico jurídico: busque apoio especializado para mapear riscos e propor correções antes que virem ação coletiva.
    • Apuração interna imparcial: investigue denúncias com comitê independente.
    • Revisão de políticas: ajuste metas, comunicação e processos para eliminar práticas abusivas.
    • Transparência: comunique mudanças para equipes e, se necessário, para sindicatos e MPT.

    Checklist rápido: Sua empresa está no radar do MPT por assédio moral organizacional?

    Responda “Sim” ou “Não” para cada pergunta:

    1. Sua empresa utiliza rankings públicos de desempenho com exposição de nomes ou apelidos?
    2. As metas são revistas apenas para cima, sem diálogo sobre viabilidade?
    3. Há relatos de piadas, ironias ou comentários depreciativos recorrentes em reuniões ou grupos internos?
    4. O canal de denúncias é confiável e protege o denunciante de retaliação?
    5. Lideranças recebem treinamento prático sobre assédio moral e gestão saudável?
    6. A empresa já teve aumento de afastamentos por transtornos mentais em algum setor?
    7. O RH costuma tratar queixas como “problema individual”, sem análise sistêmica?
    8. A alta direção acompanha indicadores de clima e saúde mental no trabalho como parte da agenda estratégica?
    9. Já houve denúncias ao sindicato ou ao MPT sobre práticas de gestão na empresa?
    10. A empresa possui política formal de prevenção a riscos psicossociais?

    Leitura do resultado:

    • Até 3 “Não”: alerta baixo, mas vale revisar pontos críticos.
    • 4 a 7 “Não”: risco relevante — é hora de agir preventivamente.
    • 8 ou mais “Não”: risco alto — um diagnóstico jurídico é urgente.

    Como o apoio jurídico especializado pode blindar sua empresa contra processos trabalhistas por assédio moral organizacional

    O Noronha e Nogueira Advogados, com mais de 30 anos em Direito Trabalhista Empresarial, atua de forma estratégica para:

    • Mapear riscos em políticas de metas, comunicação, jornada e liderança.
    • Revisar documentos internos e adequá-los à jurisprudência atual.
    • Orientar investigações de denúncias e crises, garantindo segurança jurídica.
    • Apoiar a criação de programas de compliance psicossocial e treinamento de gestores.
    • Negociar com sindicatos e MPT, evitando TACs e ações coletivas.

    Quando buscar ajuda jurídica para revisar políticas e blindar a empresa contra assédio moral organizacional

    Se sua empresa já enfrenta denúncias, ações ou percebe sinais de clima pesado, não espere a próxima notificação.

    Uma análise jurídica preventiva pode evitar condenações milionárias, proteger a reputação e fortalecer a cultura organizacional.

    Agende uma avaliação estratégica. O Noronha e Nogueira Advogados está pronto para ajudar sua empresa a transformar riscos em oportunidades de gestão.

  • A empresa pode monitorar o local de trabalho com câmeras de segurança?

    A empresa pode monitorar o local de trabalho com câmeras de segurança?

    Tempo de leitura: 4 minutos

    Entenda até onde a vigilância é permitida e como proteger juridicamente sua empresa

    A empresa pode usar câmeras no ambiente de trabalho? Entenda os limites legais, o que a LGPD exige, onde é proibido monitorar e como estruturar uma política segura para evitar passivos trabalhistas.

     

    Quando se fala em câmeras de segurança no ambiente de trabalho, muitos empresários pensam automaticamente em segurança patrimonial, mas a questão é mais ampla. No Brasil a empresa pode monitorar o local de trabalho com câmeras de segurança, desde que essa prática respeite limites de privacidade, seja proporcional, legítima e previamente informada aos empregados. 

    A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) não possui dispositivo específico sobre câmeras, mas há entendimentos consolidados na jurisprudência, na Constituição e em outras leis, como a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que moldam esse tema de forma clara. 

    O que diz a lei sobre monitoramento no trabalho

    O uso de câmeras no ambiente de trabalho é aceito no Brasil quando atende a uma lógica simples: proteger pessoas, patrimônio e o próprio negócio, sem transformar o local de trabalho em um espaço de vigilância invasiva.

    Na prática, o monitoramento só é considerado legítimo quando:

    • os empregados sabem que ele existe;

    • a finalidade é clara, como segurança ou prevenção de riscos;

    • não há invasão da esfera íntima do trabalhador;

    • os limites constitucionais e legais são respeitados.

    Há um consenso sólido de que determinados espaços não podem, em hipótese alguma, ser monitorados. Banheiros e vestiários são exemplos clássicos, porque ali existe uma expectativa natural de privacidade que não pode ser violada.

    Outro ponto sensível é a captação de áudio. Gravar conversas amplia o grau de invasão e pode colidir com a proteção constitucional ao sigilo das comunicações. Por isso, esse tipo de monitoramento exige cuidado redobrado e justificativa muito bem fundamentada.

    Em outras palavras, a legalidade não está na câmera em si, mas na forma como ela é utilizada. É o critério que separa proteção de abuso.

    Bases jurídicas que sustentam o monitoramento

    Ainda que a CLT não tenha regra específica sobre câmeras, o poder diretivo do empregador admite, de forma legítima, a instalação de sistemas de vigilância quando há:

    • proteção da segurança física de pessoas e patrimônio;
    • controle de acesso;
    • prevenção de furtos ou outras condutas ilícitas. 

    A Constituição Federal, por sua vez, protege a dignidade da pessoa humana, a intimidade e a vida privada, direitos que se sobrepõem a qualquer monitoramento que possa expô-los indevidamente. 

    Por isso, câmeras devem ser instaladas em locais comuns e com comunicação clara aos empregados, não em áreas que possam expor partes íntimas ou ocasiões em que o trabalhador tenha expectativa legítima de privacidade. 

    O papel da LGPD no uso de imagens

    As imagens captadas por câmeras são consideradas dados pessoais sob a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), o que implica que:

    • os colaboradores devem ser informados de forma clara sobre a existência do monitoramento;
    • a finalidade do uso das imagens precisa ser legítima e específica;
    • o tratamento deve observar princípios como transparência, necessidade, segurança e minimização;
    • o acesso às imagens precisa ser restrito e justificado. 

    Importante observar que a LGPD admite o tratamento de dados sem consentimento quando há interesse legítimo do empregador, desde que ele esteja equilibrado com os direitos fundamentais do empregado. 

    Onde a instalação de câmeras é permitida e onde é proibida?

    A jurisprudência e a doutrina indicam que o monitoramento por câmeras é legítimo quando:

    • instalado em áreas abertas de circulação;
    • em locais de acesso geral (recepção, corredores, estoques, entradas);
    • para fins de segurança, prevenção de perdas ou controle de acesso

    Por outro lado, é vedado monitorar:

    • banheiros;
    • vestiários;
    • áreas de descanso íntimo;
    • locais com expectativa de privacidade elevada;
    • câmeras ocultas ou direcionadas a um único trabalhador. 

    A instalação em qualquer desses locais pode gerar responsabilização trabalhista por dano moral. 

    Monitoramento além de câmeras

    Vale observar que o monitoramento no local de trabalho não se limita às câmeras, existem outras formas como:

    • revista pessoal (checar bolsas, mochilas) — que só se justifica em casos específicos, como segurança ou controle de substâncias perigosas;
    • revista íntima — que é taxativamente proibida pela CLT e por lei esparsa, com multa prevista para o empregador que violar essa regra, inclusive com agravamento em caso de reincidência. 

    Ou seja, nem todas as formas de vigilância podem ser usadas pela empresa: o monitoramento físico direto do corpo do trabalhador é proibido, e a empresa pode ser multada por isso. 

    Boas práticas para implementar câmeras com segurança jurídica

    Para evitar riscos e litígios, sua empresa deve:

    1. Formalizar uma política interna de monitoramento
      Documentar onde as câmeras estão, por quê e como as imagens serão tratadas.
    2. Comunicar os empregados de forma clara e antecipada
      Transparência ajuda a evitar conflitos e ações trabalhistas.
    3. Limitar o monitoramento a áreas adequadas
      Câmeras nos lugares certos reduzem risco e demonstram cuidado.
    4. Garantir controle de acesso às imagens
      Apenas pessoas autorizadas devem poder visualizar gravações, e isso só quando necessário legalmente.
    5. Revisar periodicamente as finalidades e o uso
      A vigilância deve ser proporcional ao objetivo declarado. 

    Onde as empresas mais erram?

    O principal erro não está na instalação em si, mas na falta de transparência e de regras claras. Muitas empresas:

    • instalam câmeras sem comunicar os empregados;
      • não formalizam a finalidade do monitoramento;
      • colocam câmeras em locais que podem invadir privacidade;
      • tratam imagens de forma desorganizada.

    Nesses casos, uma ação trabalhista pode resultar em indenização por dano moral ou responsabilização por violação da LGPD. 

    Uma breve análise técnica sobre o tema

    “O monitoramento por câmeras no ambiente de trabalho é legítimo quando atende a finalidades claras, é comunicado aos empregados e respeita a privacidade, conforme interpretado pela jurisprudência e pela doutrina jurídica atual. 

    No entanto, a proteção constitucional da intimidade e da vida privada impõe limites intransponíveis. Instalar câmeras em locais íntimos, usar sistemas ocultos ou empregar imagens sem finalidade legítima não é admissível juridicamente. 

    A LGPD incorpora uma camada adicional: as imagens são dados pessoais, e o tratamento exige observância dos princípios de proteção de dados. “

    Dra. Melissa Noronha – Advogada Trabalhista Empresarial

    Um ponto que merece atenção…

    Monitorar pessoas não é apenas tecnologia. É uma decisão que envolve direitos fundamentais e deve ser tratada como parte da gestão de riscos trabalhistas e de proteção de dados.

    Sem processo, sem política, sem comunicação, a vigilância pode virar passivo, mas com método, ela pode ser proteção.

    Quando a segurança vira risco jurídico?

    Sua empresa já tem uma política de monitoramento em conformidade com a legislação trabalhista e a LGPD?

    O Noronha e Nogueira Advogados atua ao lado de empresas que desejam:

    • estruturar políticas de vigilância com segurança jurídica;
      • prevenir passivos trabalhistas e de proteção de dados;
      • alinhar segurança patrimonial e proteção dos empregados.

    Entre em contato conosco para uma consultoria personalizada.

    Nossa parceria com as empresas é estratégica e contínua, com foco em três pilares essenciais: prevenção, defesa e gestão de riscos trabalhistas. Trabalhamos para que o Direito do Trabalho seja um aliado da gestão, protegendo o negócio, fortalecendo relações e garantindo segurança jurídica nas decisões.

    Mais do que advogar, atuamos ao lado do empresário para construir ambientes de trabalho mais seguros, eficientes e sustentáveis.

  • A empresa pode negar o pedido de antecipação da 1ª parcela do 13º salário?

    A empresa pode negar o pedido de antecipação da 1ª parcela do 13º salário?

    Tempo de leitura: 3 minutos

    Entenda quando o empregado tem direito de antecipar a 1ª parcela do 13º salário, quando a empresa é obrigada a atender o pedido e quando pode recusar. Saiba também como evitar riscos trabalhistas.

    O pagamento do 13º salário é uma das obrigações trabalhistas mais importantes do calendário anual e também uma das que mais gera dúvidas para empregadores e empregados. Uma das questões recorrentes sobre o 13º salário é:

    A empresa pode se negar a antecipar o pedido de adiantamento da 1ª parcela do 13º salário quando o empregado solicita?

    A resposta depende de quando e como esse pedido é feito e a lei tem regras específicas justamente para evitar injustiças e insegurança jurídica. Vamos esclarecer isso de forma prática e atualizada para sua empresa não correr riscos trabalhistas.

    O que a legislação trabalhista diz sobre o 13º salário?

    O 13º salário é um direito garantido ao trabalhador com carteira assinada (CLT), previsto na Lei nº 4.090/1962 e regulamentado pelo Decreto nº 57.155/1965

    A regra geral de pagamento é:

    1ª parcela: até o dia 30 de novembro de cada ano; ou por ocasião das férias, entre 1º de fevereiro e 30 de novembro de cada ano
    2ª parcela: até 20 de dezembro 

    Essa divisão deve ser observada pelo empregador, sob pena de multa ou ação trabalhista caso a empresa pague fora dos prazos legais. 

    Quando o empregado pode pedir a antecipação do 13º salário?

    A legislação prevê uma hipótese específica de antecipação obrigatória da 1ª parcela do 13º salário:

    Se o trabalhador solicitar que a 1ª parcela seja paga junto com as férias, ele deve fazer esse pedido até o dia 31 de janeiro do ano correspondente. 

    Esse pedido deve ser formalizado por escrito ao empregador, preferencialmente com protocolo de recebimento, para evitar questionamentos futuros. 

    IMPORTANTE: sem esse pedido formal no prazo, a empresa não está obrigada a antecipar. A simples menção verbal não cria direito automático.

    Quando a empresa é obrigada a atender o pedido de antecipação do 13º salário?

    Se o empregado pedir por escrito dentro do prazo legal (até janeiro) para receber a 1ª parcela junto com as férias, a empresa não pode negar esse pedido. 

    Essa regra foi estabelecida para permitir ao trabalhador organizar melhor suas finanças, especialmente em conjunto com o período de descanso remunerado.

    Quando a empresa pode recusar a antecipação do 13º salário?

    A empresa pode se recusar a antecipar a 1ª parcela do 13º salário quando:

    ✔ o pedido do empregado for feito fora do prazo legal (após janeiro)
    ✔ o pedido não estiver formalizado por escrito
    ✔ não houver vínculo de férias no período solicitado
    ✔ a antecipação não estiver prevista em política interna da empresa

    Fora desses casos, a antecipação é uma faculdade do empregador, ou seja, pode ser concedida por liberalidade, mas não é uma obrigação. 

    Observações importantes para o empregador

    1. Antecipação facultativa

    Mesmo sem pedido, a empresa pode antecipar a 1ª parcela em qualquer mês entre fevereiro e novembro como gesto de política interna, isso não cria direito automático futuro, mas deve ser regra clara e igualitária. 

    2. Formalização do pedido

    Para evitar conflitos, é recomendável exigir pedido formal por escrito e manter registro no setor de RH.

    3. Cuidado com tratamento desigual

    Antecipar para alguns e negar para outros sem critério claro pode abrir espaço para alegações de tratamento discriminatório ou violação de normas internas.

    4. Impactos contábeis e de planejamento

    A antecipação impacta o fluxo de caixa da empresa e o cálculo de encargos, por isso deve ser integrada com planejamento financeiro e jurídico.

    Riscos de negar indevidamente o pedido de antecipação do 13º salário

    Se a empresa indeferir o pedido dentro do prazo legal, ela pode enfrentar:

    • reclamações trabalhistas por descumprimento do direito previsto em lei 
    • autuações administrativas por irregularidade nos pagamentos 
    • necessidade de pagar juros e correção em caso de condenação

    Ou seja, negar sem fundamento legal pode custar mais caro do que a própria antecipação.

    Como prevenir conflitos internos?

    Para evitar riscos trabalhistas, a empresa deve:

    ✔ ter política interna clara sobre antecipação de 13º salário
    ✔ exigir pedido formal por escrito no prazo legal
    ✔ comunicar os prazos aos empregados de forma transparente
    ✔ integrar RH, financeiro e jurídico para análise de pedidos

    Uma política homogênea evita confusão e destaca a empresa como organizada e juridicamente segura.

    Um resumo prático para o empregador 

    ✔ A empresa deve conceder a antecipação da 1ª parcela do 13º se o empregado pedir no prazo legal (até janeiro) e por escrito.
    ✔ A empresa pode negar se o pedido for fora do prazo ou sem formalização.
    ✔ Antecipar por liberalidade é permitido, mas precisa de política interna para evitar desigualdade. 

    Segurança jurídica e boa gestão trabalhista

    Negar um pedido legítimo de antecipação pode gerar mais custos do que simplesmente atender à solicitação dentro das regras legais.

    Por isso, organização, formalidade e comunicação clara são essenciais.

    O Noronha e Nogueira Advogados auxilia empresas a:

    ✔ estruturar políticas internas de pagamentos e adiantamentos
    ✔ orientar sobre prazos e formalidades legais
    ✔ revisar práticas de RH para evitar passivos
    ✔ proteger sua empresa antes que o problema apareça

    Fale conosco e garanta segurança jurídica nas decisões sobre 13º salário na sua empresa.

  • A empresa pode pedir exame de gravidez da empregada na demissão?

    A empresa pode pedir exame de gravidez da empregada na demissão?

    Tempo de leitura: 7 minutos

    Pode. E, quando bem estruturado, é uma medida de proteção jurídica.

    Esse assunto costuma aparecer quando o problema já existe.

    A empresa demite, algum tempo depois, recebe uma notificação judicial informando que a ex-empregada estava grávida no momento da dispensa.

    A partir daí, o debate muda de patamar. A estabilidade da gestante independe de ciência, não importa se a empresa não sabia, não importa se a própria empregada ainda não tinha confirmação.

    A Constituição garante estabilidade desde a confirmação até cinco meses após o parto. A consequência prática é direta: a dispensa é considerada nula, com reintegração ou indenização substitutiva.

    É nesse ponto que o exame de gravidez no momento da demissão passa a ser visto pela Justiça do Trabalho como uma boa prática.

    Ao longo deste artigo, você encontrará um Diagnóstico de Riscos Trabalhistas na Demissão de Empregadas

    Ele não foi criado para ser apenas lido, ele foi pensado para ser respondido. 

    Cada pergunta conduz você a olhar para a realidade da sua empresa, sem filtros. E são justamente essas respostas que separam empresas que realmente controlam seus riscos trabalhistas daquelas que só descobrem que estavam expostas quando o processo já chegou.

    Boa leitura!!!

    O que a lei protege e o que a empresa precisa considerar?

    A proteção à gestante é ampla. Ela alcança situações em que:

    • a gravidez ainda não era perceptível;
    • a empregada não tinha diagnóstico;
    • o empregador não possuía qualquer indício.

    A jurisprudência do TST consolidou que a estabilidade existe mesmo sem conhecimento das partes.

    Na prática, isso significa que a empresa pode ser condenada mesmo tendo agido de boa-fé.

    O exame no demissional surge como uma resposta concreta a esse risco.

    O Tribunal Superior do Trabalho já reconheceu a licitude do teste de gravidez no exame demissional, desde que:

    • seja oferecido à trabalhadora;
    • haja consentimento;
    • a finalidade seja protetiva;
    • o resultado seja tratado com sigilo.

    Em entendimento recente do TST, foi considerado que a exigência de exame de gravidez em sede demissional, quando realizada com finalidade protetiva, não configura ato discriminatório nem causa dano moral por si só, com objetivo de resguardar a estabilidade gestante prevista no art. 10, II, b, do ADCT. 

    Ou seja, o TST validou a prática como meio legítimo de proteção das partes.

    Por que o exame de gravidez também interessa à empregada?

    Na prática, o exame evita que a trabalhadora:

    • perca a estabilidade por desconhecimento;
    • enfrente demora judicial para reaver o vínculo;
    • fique sem renda em um período sensível;
    • dependa de litígio para ver seu direito reconhecido.

    Quando a gravidez é identificada antes da formalização da dispensa, o contrato é preservado. O vínculo continua e a proteção constitucional se concretiza sem conflito.

    Isso significa segurança jurídica aplicada à realidade da sua empresa!

    Onde as empresas mais erram?

    O erro está em demitir sem protocolo.

    Muitas empresas:

    • não padronizam o exame demissional;
    • não explicam a finalidade do teste;
    • deixam a decisão solta;
    • tratam a gravidez como risco remoto.

    Quando o problema aparece, ele vem em forma de:

    • reintegração forçada;
    • indenização substitutiva;
    • salários retroativos;
    • reflexos em férias, 13º e FGTS;
    • desgaste institucional.

    Tudo isso pode ser evitado com um procedimento simples, ético e juridicamente estruturado.

    A empresa pode obrigar a empregada a fazer o exame?

    Não. O exame de gravidez no demissional deve ser oferecido, nunca imposto.

    A empresa pode incluir o teste como etapa do procedimento de desligamento, mas precisa:

    • explicar a finalidade do exame,
    • esclarecer que ele existe para proteger direitos,
    • colher consentimento expresso,
    • deixar claro que a recusa não gera qualquer consequência.

    A obrigatoriedade descaracteriza a licitude da prática. O que legitima o exame é a forma como ele é conduzido.

    Quando a empregada compreende que o teste existe para evitar a perda de um direito constitucional, o procedimento deixa de ser visto como invasivo e passa a ser compreendido como proteção.

    O exame de gravidez é permitido mesmo com a vedação da CLT?

    Sim. A vedação prevista no art. 373-A da CLT se refere à ADMISSÃO, quando o exame poderia ser usado para excluir ou discriminar.

    Na demissão, o contexto é outro.

    Na demissão, a relação de emprego já está formada e o direito à estabilidade já existe, ainda que ninguém tenha ciência dele naquele momento. O exame não cria esse direito nem o condiciona, ele apenas permite que a empresa saiba se está diante de uma situação juridicamente protegida. O objetivo é simples e concreto: evitar que um desligamento válido em aparência se transforme, depois, em uma dispensa nula por um fato que ainda não era conhecido. É uma forma de dar segurança ao encerramento do contrato e, ao mesmo tempo, preservar um direito que já nasceu com a gestação.

    É por isso que a Justiça do Trabalho passou a reconhecer a licitude do teste no demissional quando adotado de forma ética, consentida e protetiva.

    O resultado pode circular internamente na empresa?

    Não. O dado é sensível, íntimo e protegido, por isso ele deve ficar restrito:

    • ao setor responsável pelo desligamento,
    • ao jurídico, quando necessário,
    • e apenas para cumprimento das obrigações legais.

    Transformar essa informação em comentário interno, fofoca ou exposição caracteriza violação de privacidade e pode gerar indenização por dano moral.

    O protocolo precisa prever:

    • quem recebe o resultado,
    • onde ele é arquivado,
    • quem pode acessá-lo,
    • por quanto tempo ele é mantido.

    O sigilo é essencial para a legitimidade de todo o procedimento.

    O que acontece se a empregada que será demitida se recusar a fazer o exame de gravidez?

    A recusa não impede a rescisão. A empresa deve:

    • registrar que o exame foi oferecido,
    • documentar a recusa,
    • prosseguir com o desligamento normalmente.

    Esse registro é valioso, pois ele demonstra que a empresa:

    • agiu com cautela,
    • tentou preservar direitos,
    • não se omitiu,
    • não foi negligente.

    Se, futuramente, surgir uma discussão judicial, a empresa terá como comprovar que adotou uma conduta responsável e preventiva.

    Boa-fé documentada é proteção jurídica para a sua empresa.

    Como estruturar o procedimento na prática?

    • Inserir o teste como etapa padrão do exame demissional feminino
    • Explicar por escrito a finalidade do exame
    • Colher consentimento expresso
    • Garantir sigilo do resultado
    • Registrar eventual recusa
    • Integrar DP, RH e jurídico no protocolo
    • Treinar quem executa o desligamento

    Essa prática não é um excesso, afinal, ela te ajuda a gerir riscos trabalhistas.

    Empresas que adotam esse procedimento:

    • reduzem litígios;
    • evitam dispensas nulas;
    • preservam direitos;
    • demonstram maturidade institucional.

    Um olhar jurídico sobre o tema

    “O exame de gravidez no momento da demissão precisa ser compreendido dentro de uma lógica maior de responsabilidade empresarial. A estabilidade da gestante decorre diretamente da Constituição e independe de qualquer formalidade. Ela existe mesmo quando ninguém tem ciência da gravidez. Isso cria um cenário peculiar: a empresa pode agir corretamente, cumprir todos os ritos da rescisão e, ainda assim, ver aquele desligamento ser considerado nulo meses depois.

    É justamente aí que o procedimento demissional ganha relevância estratégica. Quando a empresa oferece o exame de forma clara, respeitosa e documentada, ela não está invadindo a esfera íntima da trabalhadora, mas organizando juridicamente o encerramento do contrato. Está criando uma ponte entre o fato biológico e o efeito jurídico que dele decorre.

    Esse cuidado demonstra maturidade institucional. Ele mostra que a empresa compreende que o Direito do Trabalho não se resume ao cumprimento formal de etapas, mas envolve antecipação de riscos reais, que já estão previstos no ordenamento. Em um ambiente cada vez mais regulado e sensível, procedimentos bem estruturados não são burocracia, são proteção.

    Ao transformar o exame em parte de um protocolo claro, com consentimento, sigilo e finalidade definida, a empresa passa a tratar o desligamento como um ato jurídico completo, e não apenas administrativo. Isso reduz conflitos, evita litígios desnecessários e preserva tanto o negócio quanto os direitos envolvidos.”

    Dra. Melissa Noronha – Advogada Trabalhista Empresarial

    Um ponto que merece atenção…

    A ausência de procedimento não impede a demissão, mas transfere todo o risco para a empresa.

    Em um cenário em que a estabilidade independe de ciência, atuar sem protocolo é assumir passivo potencial.

    Antecipar é organizar.

    Você pode substituir o “checklist rápido” por um bloco mais denso, que funcione quase como um espelho para o empresário e para o RH. Algo que não se responda em segundos, mas que faça a pessoa parar, reler, voltar e pensar “isso aqui acontece comigo”.

    Responda a este diagnóstico e identifique riscos que hoje passam despercebidos ao demitir empregadas

    Imagine que, amanhã, você precise desligar uma empregada.

    Antes de pensar na rescisão em si, responda com sinceridade:

    Você saberia, hoje, explicar a essa trabalhadora por que a empresa oferece um exame de gravidez no demissional, sem gerar constrangimento, ruído ou desconfiança?

    Seu RH saberia conduzir essa conversa com naturalidade, segurança jurídica e registro formal?

    Existe, dentro da sua empresa, um documento que organize esse procedimento ou tudo depende da sensibilidade de quem estiver à frente do desligamento naquele dia?

    Se essa empregada recusasse o exame, alguém saberia exatamente como registrar essa recusa, como arquivar essa informação e como demonstrar, no futuro, que a empresa agiu com cautela?

    O resultado desse exame ficaria restrito a quem realmente precisa saber ou ele circularia de forma informal entre setores?

    DP, RH e Jurídico falam a mesma língua quando o tema é demissão de mulheres ou cada área age por intuição?

    Agora vá além.

    Se, seis meses depois dessa demissão, sua empresa recebesse uma ação alegando gravidez no momento da dispensa, você teria hoje:

    • documentos que comprovassem a oferta do exame,
    • registros claros do procedimento adotado,
    • prova de que houve cuidado,
    • evidência de que a empresa tentou preservar direitos,
    • um protocolo que mostrasse método e não improviso?

    Ou você dependeria apenas de versões verbais e da boa-fé presumida?

    Esse exercício não existe para gerar medo, mas revela Ele existe para revelar algo simples, que na prática, acontece o tempo todo: a maior parte dos problemas trabalhistas não nasce de má-fé, nasce de improviso. 

    As empresas fazem o que sempre fizeram, repetem rotinas antigas, confiam na experiência de quem conduz o desligamento e seguem em frente.

    O problema é que o Direito do Trabalho já não funciona mais nesse modo automático. Hoje, o risco surge justamente onde não há procedimento claro, onde cada caso é resolvido “no feeling”, onde não existe um caminho definido para situações sensíveis. É nesse ponto que o jurídico deixa de ser apenas quem resolve conflitos e passa a ser quem organiza decisões antes que elas se transformem em problema.

    E é justamente aí que a assessoria jurídica trabalhista deixa de ser socorro e passa a ser estratégia.

    Empresas que se organizam antes:

    • não transformam desligamentos em litígios,
    • não descobrem direitos só no processo,
    • não aprendem pela dor,
    • não deixam o acaso decidir o que deveria ser técnica.

    Elas constroem segurança antes que o conflito exista.

    E isso muda tudo.

    Quando a demissão de empregadas exige estratégia jurídica?

    Sua empresa já possui um protocolo jurídico para demissões envolvendo empregadas?

    O Noronha e Nogueira Advogados atua ao lado de empresas que desejam:

    • estruturar procedimentos de desligamento seguros;
    • prevenir dispensas nulas;
    • reduzir passivos trabalhistas;
    • alinhar RH, DP e jurídico.

    Nossa parceria com as empresas é estratégica e contínua, com foco em três pilares essenciais: prevenção, defesa e gestão de riscos trabalhistas. Trabalhamos para que o Direito do Trabalho seja um aliado da gestão, protegendo o negócio, fortalecendo relações e garantindo segurança jurídica nas decisões.

    Mais do que advogar, atuamos lado a lado com o empresário para construir ambientes de trabalho mais seguros, eficientes e sustentáveis.

    Entre em contato e agende uma reunião!

  • Nova regra obriga adicional de 30% para quem trabalha de moto: Sua empresa está pronta para esse impacto na folha?

    Nova regra obriga adicional de 30% para quem trabalha de moto: Sua empresa está pronta para esse impacto na folha?

    Tempo de leitura: 4 minutos

    A partir de 3 de abril de 2026, empresas que utilizam trabalhadores com motocicleta como ferramenta habitual de trabalho em vias públicas terão de pagar adicional de periculosidade de 30% sobre o salário-base desses colaboradores.

    Essa não é apenas mais uma recomendação técnica. É uma obrigação expressa pela Portaria MTE nº 2.021/2025, que aprovou o Anexo V da NR-16 — Atividades Perigosas e consolidou critérios objetivos para enquadrar o trabalho em moto como perigoso sob o ponto de vista da legislação trabalhista. 

    O que é esse adicional de 30% e por que ele virou prioridade?

    A nova Portaria MTE nº 2.021/2025 foi publicada em dezembro de 2025 e estabelece critérios claros para a concessão do adicional de periculosidade ao trabalhador que utiliza motocicleta como instrumento de trabalho.

    Essa regra entra em vigor 120 dias após a publicação, ou seja, em 3 de abril de 2026, e traz mais segurança jurídica tanto para quem recebe quanto para quem paga esse adicional.

    Antes dessa portaria, a CLT já previa o adicional de periculosidade para atividades perigosas (artigo 193), mas a falta de regulamentação objetiva tornava incerta sua aplicação prática no uso de motocicletas no trabalho. 

    Quem tem direito ao adicional de 30%?

    O adicional de 30% será devido aos trabalhadores em regime CLT que utilizam motocicleta como instrumento habitual de trabalho em vias abertas à circulação pública, por exemplo:

    • motoboys e motofretistas
      • entregadores sob contrato CLT
      • profissionais externos que usam moto para atender clientes
      • técnicos de campo que se deslocam diariamente em motocicleta

    Essa regra vale independentemente do cargo registrado. O que importa é a exposição ao risco decorrente da função que exige o uso da motocicleta no exercício das atividades.

    O que não gera direito automático ao pagamento do adicional?

    A norma também delimita critérios em que o adicional não é devido, como:

    • deslocamento casa–trabalho–casa, pois não integra a execução das ordens da empresa
      • circulação apenas em vias internas ou privadas sem abertura ao trânsito público
      • uso eventuais ou esporádico da motocicleta fora da rotina
      • veículos recreativos ou que não exigem CNH nem emplacamento

    Essas exceções são importantes para a empresa não pagar adicional quando o risco, de fato, não está presente na atividade laboral. 

    Qual é o impacto real na folha de pagamento da empresa?

    O adicional de periculosidade de 30% não é apenas um custo extra no holerite mensal. Ele tem reflexos diretos em:

    • cálculo de férias e do terço constitucional
      • 13º salário proporcional e integral
      • FGTS mensal e na multa rescisória de 40%
      • horas extras e demais verbas trabalhistas
      • encargos previdenciários e contribuição social

    O percentual é calculado sobre o salário-base, excluindo prêmios ou gratificações, o que significa que, apesar de fixo, impacta diversas rubricas da remuneração. 

    Onde nasce o passivo trabalhista?

    O risco para a empresa nasce quando:

    • Não identifica corretamente quem tem direito
      • Não atualiza contratos e funções
      • Não revisa a folha antes da vigência da regra
      • Não elabora laudos técnicos de periculosidade
      • Não documenta adequadamente as atividades e frequências
      • Trata o tema como interno ou eventual, sem critério técnico

    Quando um empregado percebe que tem direito ao adicional e não o recebe, ele pode buscar a Justiça do Trabalho para exigir:

    • pagamento retroativo dos últimos 5 anos
      • reflexos em férias, 13º e FGTS
      • correção monetária e juros
      • honorários e eventuais danos morais

    Essa cobrança costuma gerar alto impacto financeiro e desgaste institucional se não houver prevenção e conformidade documental. 

    Perguntas frequentes

    Este adicional vale só para motoboys?
    Não. Vale para qualquer trabalhador CLT que utiliza motocicleta de forma habitual no trabalho, mesmo que a função não seja motoboy ou entregador.

    A moto precisa ser própria do trabalhador?
    Não. O que importa é a função exigida pelo trabalho, não a propriedade da moto.

    O adicional pode ser cobrado retroativamente?
    Sim. A regra trabalhista permite cobrança de até 5 anos, com correção monetária e juros, a partir da comprovação do uso habitual da moto no trabalho. 

    Quais cuidados práticos a empresa deve adotar?

    • Mapear funções que utilizam moto
    • Definir quando o uso é habitual
    • Ajustar contratos e descrições de cargo
    • Providenciar laudos técnicos
    • Reorganizar a folha antes da vigência
    • Treinar RH e liderança sobre o tema

    Isso não é apenas burocracia. É uma decisão consciente de gestão de risco, que protege a empresa e dá previsibilidade às escolhas.

    Empresas que se antecipam:

    • Evitam ações trabalhistas
    • Reduzem autuações
    • Controlam o impacto financeiro
    • Mantêm previsibilidade
    • Protegem a imagem institucional

    Uma breve análise técnica sobre o tema

    A nova regra decorre da Portaria MTE nº 2.021/2025, que aprovou o novo Anexo V da NR-16 e consolidou os critérios técnicos para caracterizar as atividades perigosas realizadas com motocicletas, eliminando anos de insegurança jurídica.

    Do ponto de vista jurídico, este é um movimento que:

    1. Reduz litígios por falta de normativa clara 
    2. Alinha a CLT ao Código de Trânsito e às normas de SST 
    3. Torna as empresas responsáveis pela gestão documental e legal do risco 
    4. Exige integração entre jurídico, DP, SST e RH 

    Agora não basta estar “formalmente certo”. É preciso estar substancialmente alinhado com o novo texto normativo.

    Melissa Noronha – Advogada Trabalhista Empresarial

    Um ponto importante

    Empresários costumam pensar:

    “Isso só vale para entregadores.”
    “Não tenho muitos trabalhadores assim.”
    “Aqui é diferente.”

    O que está em jogo não é apenas um adicional. É a conformidade jurídica da sua folha.

    Ignorar a norma pode gerar passivos que crescem com juros, reflexos e impacto financeiro.

    Sua empresa já está pronta para aplicar corretamente o adicional de 30% para quem trabalha de moto?

    O Noronha e Nogueira Advogados atua de forma estratégica ao lado de empresas que desejam:

    • Revisar contratos e funções
    • Estruturar laudos e documentação
    • Ajustar a folha com segurança
    • Prevenir passivos trabalhistas

    Entre em contato para uma consultoria personalizada.

    Nossa parceria com as empresas é estratégica e contínua, com foco em três pilares essenciais: prevenção, defesa e gestão de riscos trabalhistas. Trabalhamos para que o Direito do Trabalho seja um aliado da gestão, protegendo o negócio, fortalecendo relações e garantindo segurança jurídica nas decisões.

    Mais do que advogar, atuamos lado a lado com o empresário para construir ambientes de trabalho mais seguros, eficientes e sustentáveis.

     

  • Afastamento por doença do trabalho: Sua empresa conhece (de verdade) os direitos trabalhistas do empregado que precisa se afastar para tratamento?

    Afastamento por doença do trabalho: Sua empresa conhece (de verdade) os direitos trabalhistas do empregado que precisa se afastar para tratamento?

    Tempo de leitura: 6 minutos

    Entenda como funciona o afastamento por doença do trabalho, quais são os direitos do empregado, os deveres da empresa e o impacto da NR-01 a partir de 26 de maio de 2026.

    Deixe eu te colocar em uma situação que acontece todos os dias dentro das empresas:

    Um colaborador bate na porta da sua sala, visivelmente abatido, entrega um atestado médico e diz que precisará se afastar por alguns dias. Você confere a data, encaminha para o RH e segue o dia. Parece simples, rotina de empresa, não é mesmo?!

    Mas, dependendo do motivo desse afastamento, essa “folha de papel” pode significar:

    • Estabilidade provisória no emprego
    • Risco de ação trabalhista
    • Responsabilidade direta da empresa
    • Fiscalização e multa administrativa
    • E, a partir de 2026, enquadramento por descumprimento da NR-01

    É aqui que muitos empresários se surpreendem.

    Porque o afastamento por doença deixa de ser apenas uma questão médica e passa a ser também um tema jurídico, estratégico e financeiro.

    E o cenário muda ainda mais a partir de 26 de maio de 2026, quando a fiscalização da NR-01, que trata do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais, passa a ser punitiva no que diz respeito aos riscos psicossociais, como saúde mental, assédio, sobrecarga e estresse no trabalho (Ministério do Trabalho e Emprego, Portaria MTE nº 1.419/2024).

    Quando a doença passa a ser “do trabalho”?

    A legislação brasileira diferencia duas situações:

    • Doença comum, sem relação com o trabalho
    • Doença ocupacional, ligada às condições em que o trabalho é prestado

    A doença ocupacional é equiparada ao acidente de trabalho, conforme o artigo 20 da Lei nº 8.213/91.

    E isso muda tudo. Sse ficar comprovado que o ambiente, a rotina, a pressão, o modelo de gestão ou situações como assédio contribuíram para o adoecimento, a empresa entra diretamente no radar jurídico.

    Hoje, já é pacífico que transtornos como depressão, ansiedade e síndrome de burnout podem ser reconhecidos como doenças ocupacionais quando existe nexo entre o trabalho e o adoecimento (TST, Súmula 378, item II).

    Além disso, o próprio INSS reconhece que depressão e outros transtornos mentais podem gerar direito ao benefício por incapacidade temporária quando o trabalhador fica impossibilitado de exercer suas atividades por mais de 15 dias.

    O afastamento deixa de ser apenas uma ausência temporária e passa a gerar:

    • Deveres específicos para a empresa
    • Estabilidade provisória para o empregado
    • Risco de indenização
    • Fiscalização administrativa

    E é exatamente nesse ponto que muitos empresários se perguntam:
    “Mas como eu poderia prever isso?”

    A resposta está na gestão de riscos trabalhistas.

    O que acontece quando o empregado se afasta?

    Na rotina prática, funciona assim:

    • Até 15 dias de afastamento, a empresa paga normalmente o salário
    • A partir do 16º dia, o empregado deve ser encaminhado ao INSS para requerer benefício por incapacidade (Lei nº 8.213/91, art. 60)
    • Se a doença for considerada ocupacional, o retorno ao trabalho gera estabilidade de 12 meses (TST, Súmula 378)

    Essa estabilidade significa que, durante um ano após o retorno, o empregado não pode ser dispensado sem justa causa. Se for, a empresa pode ser condenada a pagar todo o período como indenização.

    Agora pense comigo.

    Se o afastamento decorre de um quadro de depressão associado à sobrecarga, pressão excessiva, metas inalcançáveis ou ambiente hostil, o problema deixa de ser individual. Ele passa a ser organizacional.

    E é exatamente isso que a NR-01 passou a exigir que as empresas enxerguem.

    O que muda com a NR-01 a partir de 26 de maio de 2026

    Desde 2024, o Ministério do Trabalho vem tratando a inclusão dos riscos psicossociais no GRO de forma educativa. Esse período termina em 26 de maio de 2026.

    A partir dessa data, a fiscalização passa a ser punitiva (MTE, Portaria nº 1.419/2024).

    Na prática, isso significa que a empresa deverá:

    • Identificar riscos psicossociais no ambiente de trabalho
    • Inserir esses riscos no inventário do GRO
    • Implementar medidas reais de prevenção
    • Demonstrar que atua para reduzir adoecimentos ligados ao trabalho

    Riscos psicossociais incluem, entre outros:

    • Assédio moral
    • Pressão excessiva e contínua
    • Metas incompatíveis com a realidade
    • Falta de apoio da liderança
    • Ambientes hostis ou inseguros

    Esses fatores já são reconhecidos como gatilhos para doenças mentais relacionadas ao trabalho. Ou seja, a empresa que ignora esses pontos passa a correr não apenas risco trabalhista, mas também administrativo.

    Onde as empresas mais erram nesse tema?

    O erro mais comum é tratar o afastamento como um evento isolado.

    O colaborador adoece, apresenta o atestado, o RH registra, o gestor reorganiza a equipe e a empresa segue em frente e tudo parece resolvido.

    O problema é que, juridicamente, esse afastamento pode ser apenas o primeiro capítulo de uma história maior.

    Muitas empresas:

    • Não investigam a causa do adoecimento
    • Não revisam o ambiente de trabalho após afastamentos recorrentes
    • Não registram nem gerenciam riscos psicossociais
    • Não capacitam líderes para lidar com sinais de sofrimento
    • Não adaptam a rotina no retorno do colaborador

    Quando o trabalhador retorna e adoece novamente, ou ingressa com uma ação alegando que o trabalho causou o problema, a empresa costuma ouvir algo como:

    “Faltou gestão do risco trabalhista. Faltou prevenção. Faltou cuidado com o ambiente.”

    E esse discurso encontra cada vez mais respaldo técnico e jurídico.

    Perguntas frequentes sobre afastamento por transtornos mentais no trabalho

    A empresa pode demitir um funcionário com transtornos mentais relacionados ao trabalho ou isso pode ser considerado demissão discriminatória?

    Depende do contexto. A empresa não está impedida, em tese, de rescindir um contrato de trabalho. O problema surge quando a demissão ocorre em um cenário que revela discriminação ou violação de garantias legais.

    Quando o empregado apresenta transtornos mentais ligados ao trabalho, como depressão, ansiedade ou burnout, e isso é conhecido pela empresa, a dispensa pode ser interpretada como discriminatória, especialmente se:

    • ocorrer logo após o diagnóstico ou o retorno do afastamento;
    • houver indícios de que o adoecimento decorre do ambiente de trabalho;
    • o empregado estiver em período de estabilidade decorrente de doença ocupacional.

    Nesses casos, a Justiça do Trabalho pode determinar a reintegração do empregado ou o pagamento de indenização, entendendo que a dispensa violou a dignidade e a proteção do trabalhador em situação de vulnerabilidade.

    Quando transtornos mentais podem ser reconhecidos como doença ocupacional e gerar responsabilidade para o empregador?

    Transtornos mentais passam a ser considerados doença ocupacional quando fica demonstrado o nexo entre o adoecimento e as condições de trabalho.

    Isso acontece, por exemplo, quando o quadro está associado a fatores como:

    • pressão excessiva e contínua por metas inalcançáveis;
    • jornadas prolongadas sem descanso adequado;
    • ambiente hostil, com humilhações ou assédio moral;
    • ausência de apoio da liderança;
    • sobrecarga permanente de tarefas.

    Quando médicos, peritos ou o próprio INSS identificam essa relação, a doença é equiparada a acidente de trabalho. A partir daí, surgem consequências jurídicas relevantes para a empresa, como:

    • estabilidade provisória de 12 meses após o retorno;
    • possibilidade de indenização por danos morais e materiais;
    • responsabilização por omissão na prevenção dos riscos;
    • maior exposição a autuações administrativas.

    Em outras palavras, o foco deixa de ser apenas o estado de saúde do empregado e passa a ser o ambiente que contribuiu para esse adoecimento.

    Quais orientações práticas podem ser dadas ao empregado com transtornos mentais para proteger seus direitos trabalhistas e evitar prejuízos profissionais?

    Do ponto de vista prático, alguns cuidados são fundamentais:

    • procurar atendimento médico e manter laudos e relatórios atualizados;
    • entregar os atestados dentro do prazo e guardar cópias;
    • comunicar formalmente a empresa sobre o afastamento e o diagnóstico, quando indicado;
    • seguir corretamente as orientações do INSS em caso de afastamento superior a 15 dias;
    • registrar situações de assédio, sobrecarga ou pressão abusiva, com datas, mensagens e testemunhas;
    • ao retornar, solicitar, se necessário, readaptação de funções ou ajustes na rotina, conforme orientação médica.

    Essas medidas ajudam a demonstrar boa-fé, preservar direitos e evitar que o adoecimento resulte em prejuízos profissionais ainda maiores. Elas também são importantes caso seja necessário, no futuro, comprovar que o problema tem relação com o ambiente de trabalho.

    Quais cuidados práticos a empresa precisa adotar para não ser punida pela NR-01?

    Com a NR-01 ganhando força punitiva em 2026, o caminho é claro. A empresa precisa:

    • Mapear riscos psicossociais reais no ambiente
    • Inserir esses riscos no GRO
    • Criar medidas práticas de prevenção
    • Capacitar líderes para identificar sinais de adoecimento
    • Estruturar canais de escuta e acolhimento
    • Planejar o retorno ao trabalho após afastamentos prolongados

    Isso não significa transformar a empresa em clínica, mas sim reconhecer que gestão de pessoas também é gestão de riscos.

    Empresas que se antecipam:

    • Reduzem afastamentos
    • Diminuem ações trabalhistas
    • Evitam multas administrativas
    • Mantêm produtividade
    • Protegem sua imagem institucional

    E fazem isso com inteligência jurídica.

    Uma breve análise sobre o tema

    O afastamento por doença do trabalho envolve três eixos jurídicos principais:

    1. Previdenciário, pagamento, benefício e encaminhamento ao INSS, conforme Lei nº 8.213/91
    2. Trabalhista, estabilidade provisória de 12 meses quando caracterizada doença ocupacional, conforme Súmula 378 do TST
    3. Administrativo, obrigação de gestão dos riscos psicossociais no GRO, conforme NR-01 e Portaria MTE nº 1.419/2024

    A partir de 26 de maio de 2026, a ausência dessa gestão passa a gerar autuação.

    Isso coloca o tema definitivamente no campo da estratégia empresarial. A empresa que ignora o fator humano assume um risco jurídico que hoje é mensurável, previsível e evitável.

    Melissa Noronha – Advogada Trabalhista Empresarial

    Um ponto importante…

    É natural que o empresário pense:

    “Minha empresa nunca teve esse tipo de problema.”
    “Isso acontece em empresas grandes.”
    “Aqui todo mundo é tratado com respeito.”

    Essas percepções são comuns. E muitas vezes são verdadeiras.

    O ponto é que a legislação e a Justiça do Trabalho não trabalham apenas com intenção, mas sim com efeitos e se o ambiente gera adoecimento, ainda que sem má-fé, a responsabilidade pode existir.

    Prevenir não significa assumir erros. Significa cuidar do negócio, antecipar riscos e manter a empresa protegida diante do que pode acontecer.

    Sua empresa já está preparada para lidar juridicamente com afastamentos por doença do trabalho e com as exigências da NR-01 a partir de 2026?

    O Noronha e Nogueira Advogados atua de forma estratégica ao lado de empresas que desejam:

    • Reduzir riscos trabalhistas
    • Estruturar o GRO com segurança jurídica
    • Prevenir adoecimentos ligados ao trabalho
    • Proteger o negócio de passivos futuros

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  • 25 de janeiro é feriado em São Paulo? Aniversário da cidade gera folga obrigatória para trabalhadores?

    25 de janeiro é feriado em São Paulo? Aniversário da cidade gera folga obrigatória para trabalhadores?

    Tempo de leitura: 4 minutos

    Entenda se 25 de janeiro é feriado por causa do aniversário de São Paulo, quais são as regras trabalhistas aplicáveis quando a data cai em domingo e o que sua empresa precisa saber para gerir escalas e jornada.

     

    Neste início de ano muitas empresas começam a revisar seus calendários e, com isso, surge a dúvida: 25 de janeiro é feriado? A resposta depende do contexto e da localidade.

    O dia 25 de janeiro é oficialmente o aniversário da cidade de São Paulo, data em que a capital paulista completa mais um ano de existência. Em 2026, a cidade completa 472 anos desde sua fundação em 1554 por padres jesuítas que estabeleceram o Colégio de São Paulo de Piratininga, marco inicial do que viria a ser a metrópole atual.

    No Brasil, essa data é considerada feriado municipal em São Paulo capital, o que significa que a folga é obrigatória apenas para os trabalhadores que exercem suas atividades dentro dos limites do município. 

    O que significa “feriado municipal”?

    Quando se fala em feriado municipal, quer dizer que aquele dia é considerado descanso obrigatório apenas dentro daquela cidade. Em outras palavras, fora do município de São Paulo capital essa data não é feriado e não há obrigação legal de descanso remunerado

    Isso ocorre porque o Brasil possui diferentes níveis de feriados:
    Nacionais, válidos em todo o território;
    Estaduais, válidos em um estado;
    Municipais, válidos apenas na cidade que os instituir.

    O aniversário de São Paulo é um feriado municipal reconhecido oficialmente na capital paulista, mas não tem validade em outros municípios do estado ou em outras regiões. 

    Como fica a jornada de trabalho quando o feriado cai no domingo?

    Em 2026, o aniversário de São Paulo (25 de janeiro) cai em um domingo, o que traz implicações práticas para a rotina de trabalho. 

    Mesmo com o feriado sendo municipal, as regras trabalhistas são claras quando um trabalhador é convocado a prestar serviço no dia do feriado:

    Trabalhadores que normalmente não trabalham no domingo

    Para quem tem jornada regular de segunda a sexta-feira ou que não tem escalas de fim de semana, o feriado que cai no domingo simplesmente coincide com o descanso semanal remunerado. Não há adição de folga nem pagamento extra previsto na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), salvo acordo coletivo estabelecendo regra diversa. 

    Trabalhadores que normalmente trabalham aos domingos

    Se a escala de trabalho do empregado inclui domingo e ele é convocado para trabalhar no feriado municipal que caiu em domingo, valem as regras da CLT e da jurisprudência consolidada. Em geral, isso gera:

    • direito à folga compensatória em outro dia, se previsto em acordo coletivo ou convenção coletiva;
      • ou, na ausência de folga, pagamento em dobro das horas trabalhadas no feriado, conforme interpretação de normas e da Súmula 146 do TST (lembrando que instrumentos coletivos podem ampliar ou ajustar essas regras).

    E se a atividade da empresa é essencial ou tem escala de plantão?

    Empresas que prestam serviços essenciais (como saúde, transporte, segurança, energia etc.) ou que organizam suas jornadas em escalas (como 12×36) podem ter regras específicas previstas em acordo coletivo para organizar o trabalho no feriado, especialmente quando ele coincide com o domingo.

    Por exemplo, uma escala de 12×36 normalmente já incorpora folgas periódicas ao calendário de jornadas, o que pode influenciar se há ou não pagamento adicional no dia do feriado. 

    É fundamental que a empresa esteja alinhada com as convenções coletivas da sua categoria, pois elas podem disciplinar formas de compensação, banco de horas ou pagamento das horas trabalhadas no feriado.

    Preparando sua empresa para o feriado municipal

    Mesmo sendo um feriado municipal e caindo em um domingo, há cuidados que toda empresa deve observar:

    • Verificar instrumentos coletivos (convenções e acordos) da categoria;
      • Adequar escalas de trabalho para domingo/feriado;
      • Estabelecer regras claras de compensação ou pagamento em caso de trabalho no dia;
      • Atualizar o departamento de pessoal sobre eventuais impactos nas folhas e banco de horas;
      • Comunicar aos colaboradores com antecedência sobre a escala de 25 de janeiro.

    Esses passos evitam passivos trabalhistas decorrentes de escalas mal organizadas ou falta de instrumentos coletivos que prevejam a compensação adequada do trabalho no feriado.

    Uma breve análise técnica sobre o tema

    O aniversário de São Paulo é um feriado municipal, válido apenas na cidade de São Paulo. Como em 2026 ele cai em domingo, a regra mais importante é a de que o feriado coincide com o descanso semanal remunerado (DSR) para a maioria dos trabalhadores, o que não gera automaticamente folga compensatória nem pagamento adicional para quem normalmente não trabalha aos finais de semana. 

    Para quem trabalha aos domingos ou em plantões, a convocação no feriado pode gerar direito a folga em outro dia ou pagamento extra, conforme CLT, convenção coletiva e entendimento jurisprudencial consolidado. 

    Melissa Noronha – Advogada Trabalhista Empresarial

    Onde nascem os erros mais comuns

    Na prática, esse tema costuma ser subestimado porque ele não “grita”. Não paralisa a empresa, não gera conflito imediato, não parece urgente. Justamente por isso, acaba sendo tratado de forma automática, sem análise jurídica. 

    Alguns empresários podem pensar:

    “Mas é só um domingo.”
    Quando o feriado coincide com domingo, a regra do descanso semanal pode não produzir efeitos extras para quem não trabalha aos finais de semana.

    “Não tenho funcionários escalados para domingo.”
    Se houver escala e o trabalhador for convocado no feriado, aí sim há impacto jurídico.

    “Aqui não se fala em feriado municipal.”
    O feriado municipal vale apenas para quem exerce atividades dentro da cidade e só para quem trabalha no dia efetivamente.

    O problema é que pequenas decisões de escala, quando repetidas ao longo do tempo, constroem passivos silenciosos. Um domingo tratado como “comum”, uma convocação mal documentada, uma convenção ignorada, tudo isso pode virar questionamento judicial depois. Entender quando o feriado existe, para quem ele vale e quais efeitos ele produz não é excesso de cautela, é gestão responsável da rotina.

    Sua empresa já revisou as escalas de trabalho e os instrumentos coletivos para lidar com feriados?


    No Noronha e Nogueira Advogados, ajudamos empresas a organizar jornada, escalas e compensações de forma juridicamente segura e alinhada com a CLT e com as convenções coletivas.

    Fale conosco para uma consultoria estratégica e evite passivos trabalhistas neste e em outros feriados.

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  • Coerência entre o atestado médico e o comportamento do empregado pode dar justa causa

    Coerência entre o atestado médico e o comportamento do empregado pode dar justa causa

    Tempo de leitura: 2 minutos

    Empregado afastado pode praticar qualquer atividade? Entenda quando a incoerência entre o atestado médico e o comportamento do trabalhador pode justificar justa causa e como a empresa deve agir.

     

    Empregado afastado do trabalho porque está passando mal, mas no dia seguinte acorda melhor e pensa:

    “Vou aproveitar esses dias de “folga” para resolver umas coisinhas”, hã hã hã 

    Foi mais ou menos isso que aconteceu e acabou em justa causa!

    Uma auxiliar administrativa, afastada por gastroenterite, aproveitou os 3 dias de afastamento médico para fazer bronzeamento artificial.

    Pois bem. A empresa descobriu e decidiu demitir a empregada por justa causa

    A empregada entrou com ação trabalhista e o TRT entendeu que:

    Se a trabalhadora estava bem o suficiente para se submeter ao bronzeamento artificial, então estava bem o suficiente para trabalhar.

    Que houve o rompimento da confiança, elemento essencial na relação de emprego.

    A Juíza decidiu: 

    A licença médica serve para recuperação. 

    Atividades incompatíveis com o tratamento quebram a boa fé.

    Bronzeamento artificial envolve calor e risco de desidratação o oposto do recomendado para quem está sofrendo com gastroenterite.

    A dona da clínica de estética afirmou que a empregada:

    – disse estar bem

    – bem alimentada

    – em boas condições físicas

    O que reforça a ideia de que a empregada não precisava estar afastada do trabalho.

    Foi assim que a Justiça do Trabalho manteve a justa causa, com base em:

    – Mau procedimento

    – Quebra de fidúcia

    – Incompatibilidade entre a doença alegada e a conduta adotada

    Com a dispensa por justa causa, a empregada perdeu o direito ao recebimento de:

    – aviso prévio

    – 13º. Salário proporcional

    – férias proporcionais + 1/3

    – levantamento do FGTS e multa de 40%

    – seguro desemprego

    Estar afastado do serviço não significa ficar preso em casa, MAS… O empregado não deve praticar atividades que contrariam o motivo do afastamento médico

    O QUE IMPORTA é a coerência entre o atestado médico e o comportamento do empregado. Afastamento médico é assunto sério e envolve boa fé e ética.

    Para saber como a empresa deve agir em situações semelhantes, conte com a assessoria jurídica do escritório Noronha e Nogueira Advogados.