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Grávida que era forçada a carregar peso tem direito a rescisão indireta e sua empresa pode estar na mesma armadilha

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Gestante obrigada a carregar peso pode ter direito à rescisão indireta. Entenda a decisão da Justiça do Trabalho, os riscos para a empresa e como evitar passivos trabalhistas.-

Você já recebeu aquele e-mail do RH: “preciso realocar a colaboradora, ela está grávida”? Ou talvez já tenha ouvido de um gestor: “mas todo mundo aqui ajuda no estoque, por que ela não pode também?”

Agora pense: e se essa colaboradora começar a ter problemas de saúde ou até buscar a Justiça?

Isso não é teoria, aconteceu de verdade.

O caso que virou alerta para empregadores

Em novembro de 2025, a 11ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (TRT-RS) confirmou que uma operadora de caixa tinha direito à rescisão indireta do contrato de trabalho depois de ser forçada pela empresa a realizar atividades pesadas, mesmo após comunicar sua gravidez. 

Na prática, a magistratura entendeu que a gestante foi submetida a tarefas incompatíveis com sua condição, como movimentar carrinhos com sacos de 30kg e isso configurou falta grave da empregadora, autorizando o rompimento do contrato por culpa da empresa. 

Além da rescisão indireta, a trabalhadora recebeu:

  • indenização pela estabilidade provisória garantida à gestante;
  • verbas rescisórias equivalentes a uma dispensa sem justa causa;
  • indenização por danos morais

Por que isso importa para você, empresário?

Empregadas grávidas têm proteção especial na legislação brasileira e na jurisprudência trabalhista. A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e o Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT) asseguram, entre outros pontos:

  • Estabilidade provisória desde a confirmação da gravidez até cinco meses após o parto;
  • Condições de trabalho compatíveis com sua saúde;
  • Proibição de aplicar penalidades por recusar tarefas que ofereçam risco à gestação. 

Ou seja: não é apenas uma boa prática, é obrigação legal proteger a saúde física e psicológica da colaboradora gestante.

Os erros mais comuns que geram passivos trabalhistas

Empresas muitas vezes:

  • não adaptam a função nem realocam a gestante quando necessário;
  • permitem que ela continue executando tarefas com esforço físico intenso;
  • ignoram atestados ou recomendações médicas;
  • pressionam por produtividade sem considerar limitações gestacionais.

Essas condutas podem levar a ações trabalhistas com fortes argumentos de falta grave patronal, como aconteceu no caso do TRT-RS. 

Quais são os riscos reais para sua empresa?

Quando um empregador desrespeita essas proteções, pode enfrentar:

  • Reconhecimento judicial de rescisão indireta (efeitos iguais à dispensa sem justa causa);
  • Obrigação de pagar verbas rescisórias completas;
  • Indenização por danos morais;
  • Multas e condenações relacionadas ao período de estabilidade provisória

E mais: a Justiça do Trabalho tem ampliado o entendimento de que a exigência de tarefas incompatíveis com a gravidez pode ser, por si só, falta grave do empregador. 

Como agir para evitar esse risco?

  • Adapte funções sempre que necessário, realoque gestantes para atividades leves;
  • Respeite atestados e recomendações médicas;
  • Faça avaliações de risco no ambiente de trabalho;
  • Formalize políticas internas claras sobre gestantes e trabalho seguro.

Documentação e processos internos bem organizados não só protegem sua empresa, como demonstram boa-fé em eventuais fiscalizações ou demandas judiciais.

Parecer jurídico — Dra. Melissa Noronha

“Empregadas gestantes têm proteção legal reforçada, incluindo estabilidade provisória e direito a condições de trabalho compatíveis com sua saúde. A exigência de tarefas que envolvam esforço físico incompatível com a gestação pode configurar falta grave do empregador, apta a ensejar rescisão indireta com todos os efeitos de uma dispensa sem justa causa.

A falta de realocação, desconsideração de atestados ou manutenção de atividades de risco podem resultar em condenações significativas, inclusive por danos morais.

Recomenda-se que as empresas revise políticas internas, treinem gestores e estabeleçam procedimentos claros para acompanhamento de colaboradoras gestantes, prevenindo litígios e fortalecendo a segurança jurídica.”

Dra. Melissa Noronha
Advogada – Direito do Trabalho Empresarial

Se a sua empresa ainda não tem um procedimento claro para acompanhar colaboradoras gestantes, o risco de litígios e condenações trabalhistas é real.

A assessoria jurídica trabalhista, especialmente com foco preventivo, pode fazer a diferença entre resolver antes de um processo ou defender um passivo trabalhista caro e desgastante.

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